PaiPee

É #Fake, vagas de medicina não triplicaram, como diz futuro ministro da Saúde

“Na graduação, tínhamos 148 faculdades até 2013. Em 2016, fomos para 323”, afirmou o futuro ministro da Saúde, em entrevista ao jornal O Globo no dia 25 de novembro de 2018. A informação é falsa. (Foto: Twitter - @depmandetta)

 

De acordo com a Sinopse Estatística da Educação Superior, do Inep, não houve triplicação do número de vagas dos cursos de medicina oferecidos no Brasil, no período de 2013 a 2016. A realidade é que nem se quer dobrou a quantidade.

No ano de 2013, as faculdades de medicina ofereciam 19.145 vagas em todo o Brasil. Já em 2016, o número subiu para 27.857. Então, houve um crescimento de 45% e não 200%, como disse o futuro ministro.

Em abril de 2018, o Ministério da Saúde congelou a abertura de novas vagas de medicina. Segundo, Mendonça Filho (o responsável na época), a atitude era uma parada necessária para garantir que todos os cursos tenham boa qualidade.

Indicado pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), para ser o ministro da Saúde a partir de janeiro, o deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) concedeu entrevistas sobre o tema na última semana. O político, que encerra seu segundo mandato na Câmara neste ano, conversou com a imprensa sobre cursos de medicina no Brasil, o programa Mais Médicos e outros assuntos relacionados à saúde.

O Pipeify conferiu algumas frases mencionadas pelo futuro ministro e apurou junto aos orgãos reguladores a veracidade de algumas informações. Veja o resultado:

1. “Na graduação, tínhamos 148 faculdades até 2013. Em 2016, fomos para 323.” disse Luiz Henrique Mandetta.
#FATO
Em 2013, 190 instituições ofereciam a graduação em medicina no país – 42 a mais do que o citado pelo futuro ministro. Dessas 190, 109 eram privadas e 81, públicas. Em 2016, o número, de fato, cresceu, como indica Mandetta. Mas longe dos valores aos quais ele faz referência. Naquele ano, o número de faculdades de medicina chegou a 234 no país – 143 eram da rede privada e 91, da rede pública. Os dados são da Sinopse Estatística da Educação Superior do Inep.

2. “[De 2013 a 2016] Multiplicamos por três o número de vagas [de medicina].” afirmou Luiz Henrique Mandetta.
#FATO
Segundo a Sinopse Estatística da Educação Superior, do Inep, o número de vagas em cursos de medicina oferecidas no Brasil não “mutiplicou por três” de 2013 a 2016. Na verdade, ele nem sequer dobrou nesse período. Em 2013, as faculdades de medicina ofereciam 19.145 vagas em todo o país. Em 2016, esse número cresceu para 27.857. Assim, o crescimento é de 45%, e não de 200%, como indica o futuro ministro.

3. “A primeira Santa Casa do Brasil é de 1530.” disse Luiz Henrique Mandetta.
#FATO
A primeira Santa Casa de Misericórdia do Brasil foi criada em 1543, na cidade de Santos, no litoral paulista. Nos anos seguintes, Salvador (1549) e Rio de Janeiro (1567), por exemplo, também ganharam Santas Casas.

4. “Três, quatro dias depois [de anunciar o encerramento de seu vínculo com o programa Mais Médicos, Cuba] retirou 8 mil médicos [cubanos do Brasil].” afirmou Luiz Henrique Mandetta.
#FATO
O governo cubano anunciou que deixaria o programa Mais Médicos no dia 14 de novembro de 2018. Na última terça-feira (27), a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que gerenciava os contratos que garantiam a presença dos médicos cubanos no Brasil, informou que 1.307 deles já haviam deixado o país desde o fim do acordo de cooperação. Segundo a Opas, a previsão é de que todos os 8,3 mil médicos cubanos que atuavam ou ainda atuam no Brasil tenham deixado o país até o dia 12 de dezembro.

Procurada, a assessoria do futuro ministro Luiz Henrique Mandetta disse, em nota, que a “entrevista aconteceu no ritmo de uma conversa formal, sem consulta a anotações, citando dados de memória, daí a ocorrência de divergência.”