É falso que hidroxicloroquina, defendida por médica dos EUA, seja eficaz contra Covid-19

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Circula nas redes sociais um vídeo que mostra o depoimento da médica norte-americana, Stella Immanuel, em frente à Suprema Corte dos EUA, na capital Washington. Cercada por outros profissionais da área da saúde, ela defende o uso do medicamento hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19. Em seu depoimento, a médica afirma que o uso do medicamento, junto com zinco e zithromax (azitromicina) seja a cura da doença que já matou mais de 667 mil pessoas no mundo. O discurso de Immanuel foi feito em um evento, organizado pelo grupo conservador Tea Party Patriots, no dia 27 de julho.

“Esse vírus tem cura e se chama hidroxicloroquina, zinco e zithromax (azitromicina)” – Frase da médica Stella Immanuel em vídeo publicado no Instagram. (Fonte: Reprodução)

Essa informação é falsa. Diferentemente do que é defendido pela médica americana, ainda não existe nenhuma cura cientificamente comprovada para a Covid-19. Diversos estudos científicos já foram realizados sobre o assunto e todos concluíram que a hidroxicloroquina, sozinha ou combinada com outros medicamentos, não funciona contra a doença.

No estudo mais recente realizado no Brasil, publicado em 23 de julho no New England Journal of Medicine, foi comprovado com uma tecnologia rigorosa a ineficácia do medicamento. Foram recrutadas 667 pessoas em 55 hospitais, das quais 504 tiveram o diagnostico positivo para a doença. Todos os pacientes, que apresentavam sintomas leves ou moderados, foram divididos em três grupos; o primeiro recebeu hidroxicloroquina com azitromicina (217 pessoas, Grupo 1); o segundo foi tratado apenas com hidroxicloroquina (221 pessoas, Grupo 2); e o último tomou placebo, ou seja, não recebeu nenhum medicamento (229 pessoas, Grupo 3). No fim dos testes o índice de morte dos pacientes ficou em 3% nos três grupos, ou seja, a hidroxicloroquina não afetou o tratamento de nenhuma forma.

Outro teste, realizado no Canadá e nos Estados Unidos, também avaliou a eficácia da hidroxicloroquina em pacientes que estavam ainda nos estágios iniciais da doença. Os resultados, publicados no Annals of Internal Medicine em 16 de julho, mostraram que a hidroxicloroquina não contribuiu para aliviar os sintomas no grupo testado.

Em uma terceira pesquisa, publicada no The New England Journal of Medicine, em 3 de junho, foi avaliado se a medicamento poderia ser utilizado para prevenir a doença. Os resultados comprovaram que a droga não foi eficaz para evitar que as pessoas ficassem doentes ao serem expostas a um risco moderado ou alto de contágio.

Até mesmo a Organização Mundial da Saúde (OMS) já suspendeu um grande estudo sobre o medicamento após estudos provarem sua ineficácia. Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), que regula o uso dos medicamentos nos país, retirou a autorização para uso de emergência da droga em pacientes hospitalizados. A decisão foi tomada no dia 15 de junho, após alguns testes científicos comprovarem a ineficácia do medicamento contra a Covid-19.

Conteúdo de fact-checking do Pipeify.