É falso que estudo aponte que a maioria das pessoas sejam imunes à Covid-19

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Circula nas redes sociais um post afirmando que o neurocientista britânico, Karl Karl Frison, teria concluído, por meio de um estudo, que a maioria da população seria imune à Covid-19. O texto que acompanha a postagem também afirma que a política do isolamento social no combate ao coronavírus esteja baseada em uma “ciência falha”.

“A política de “fechar tudo” teria sido baseada em ciência falha, e as consequências danosas à sociedade serão sentidas por décadas.” – Trecho do texto compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro no Facebook, contendo informações falsas. (Fonte: Reprodução)

Essa informação é falsa. Não é verdade que um estudo do pesquisador britânico tenha comprovado que a maioria da população seja imune ao novo coronavírus. O boato foi compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em sua página oficial no Facebook e, até a manha desta quarta-feira (19), foi compartilhado mais de 177 mil vezes.

O boato possivelmente surgiu após Karl Karl Frison, que não é epidemiologista ou virologista, afirmar em uma entrevista que, possivelmente, 40% a 80% da população britânica poderia ser menos vulnerável à infecção pelo coronavírus. A entrevista foi dada ao site britânico UnHerd no mês de junho. Porém, Karl também afirmou que essa taxa pode variar entre países e que isso, não necessariamente, significa que essas pessoas seriam imunes à doença. Em cenários com grandes quantidades de carga viral, como é o caso de médicos que atuam na linha de frente em hospitais, essa resistência poderia ser vencida.

Questionado pelo portal de checagem de notícias, Aos Fatos, o neurocientista negou que as informações que circulam nas redes sejam verdadeiras. “Suspeito que os 80% se refiram à estimativa bruta de pessoas que, ou não são expostas ao vírus, ou são expostas, mas não são suscetíveis à infecção, mas apresentam quadros leves e não participam na transmissão.”, afirmou Karl Karl Frison.

Segundo ele, essa tolerância maior à infecção pode ser uma consequência de fatores como resistência natural, causada pela reação cruzada com outros coronavírus e a ausência de contato com pessoas infectadas, o que acontece caso a pessoa fique isolada, por exemplo.

Karl Frison explicou esse mesmo conceito em uma entrevista ao  jornal britânico The Guardian no mês de maio. Na ocasião, o neurocientista pontuou que suas estimativas não podem ser usadas como argumento ou justificativa para a imposição do fim do isolamento social. “Eu nunca afirmei que o lockdown era inútil. Na verdade, a maior parte das minhas contribuições à área mostra que o lockdown e o distanciamento social são importantes — e interagem com a imunidade da população e com outros fatores de mitigação para determinar a disseminação do vírus”, disse Karl Karl Frison.

Conteúdo de fact-checking do Pipeify.