É falso que vacinas não são necessárias para controlar pandemias

Circula por redes sociais boatos que afirmam que não haveria a necessidade de uma vacina para conter os avanços da pandemia e proteger a população, como a mídia e diversas entidades e especialistas afirmam há meses. 

O texto em questão, publicado originalmente no site Lockdown Sceptics, afirma que vacinas não são necessárias, pois, segundo este texto, a pandemia do novo coronvírus já teria achego ao fim. O texto traz trechos traduzidos de um artigo escrito por Mike Yeadon, ex-vice-presidente e cientista-chefe de Alergia e Biologia Respiratória da farmacêutica Pfizer.

O texto ainda ressalta que o trabalho feito pelo Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas (em inglês, Strategic Advisory Group of Experts, ou Sage) da Organização Mundial da Saúde (OMS) teria errado em suas indicações para a população. 

Embora o texto tenha viralizado nas redes sociais, a informação é falsa. Ao longo de toda a história da humanidade a vacina serviu para erradicar diversas doenças e controlar outras pandemias que já vivemos ao longo dos anos.  

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No Brasil, por exemplo, a vacinação contribuiu para erradicar a febre amarela urbana em 1942, a varíola em 1973 e a poliomielite em 1989, controlou o sarampo, o tétano neonatal, as formas graves da tuberculose, a difteria, o tétano acidental e a coqueluche, de acordo com o relatório do Programa Nacional de Imunizações (PNI), da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. 

De acordo com o que a OMS, a vacinação é a forma mais eficaz de prevenir doenças. Assim, segundo o Instituto de Tecnologia em Imunobiologia Bio-Manguinhos, da Fiocruz, a vacinação é necessária para a erradicação, eliminação e controle das doenças imunopreveníveis no país. 

Testes para vacina 

Atualmente o país testa quatro vacinas contra o covid-19: a ChAdOx-1, desenvolvida pela Universidade de Oxford com a farmacêutica britânica AstraZeneca; a CoronaVac, da farmacêutica chinesa Sinovac Biotech; uma imunização da Pfizer com o laboratório alemão Biotech; e a Ad26.Cov2.S, do laboratório belga Janssen. 

A publicação que viralizou de um texto escrito por Mike Yeadon ainda refere que a “pandemia acabou efetivamente”. Entretanto, a notícia é falsa. Além de não ter se encontrado uma vacina, que já foi comprovada como necessária para que se volte a uma rotina normal, o número de casos tem aumentado de forma considerável nos últimos dias em diversos países. 

A Europa como um todo tem enfrentado uma segunda onda da doença e visto os números aumentarem. No Reino Unido, por exemplo, 105.202 novos casos foram confirmados na última semana, período em que o país registrou 3.494 mortes, segundo a Organização Mundial da Saúde.  

Já nos Estados Unidos foram mais de 1,1 milhão de novos casos e mais de 10 mil pessoas mortas na última semana. Enquanto isso, no Brasil foram quase 237,5 mil novos casos e mais de 3,5 mil mortes no mesmo período. Dados do Reino Unido, Estados Unidos e Brasil, por exemplo, mostram aumento do número de casos e mortes. 

Assim, definitivamente não se pode considerar que a pandemia tenha chegado ao fim. 

Conteúdo de fact-checking do PaiPee.