Jackie Blankenship, de 40 anos, moradora do estado de Michigan (EUA), nasceu com uma condição rara chamada síndrome de insensibilidade androgênica completa. Apesar de possuir cromossomos XY, seu corpo é biologicamente insensível à testosterona, o que levou ao desenvolvimento de características físicas femininas, mesmo sem ter útero, ovários ou um canal interno completo.
Diagnosticada aos quatro anos, Jackie passou por uma cirurgia aos 15 para remover testículos internos não funcionais. Aos 18, decidiu iniciar uma terapia de dilatação interna — alternativa à cirurgia — para criar um canal vaginal funcional, já que havia nascido apenas com uma pequena cavidade. O processo durou cerca de um ano e foi emocionalmente difícil, marcado por dúvidas sobre sua identidade e pressão para se adequar às expectativas sociais de uma vida íntima “normal”.
Atualmente, Jackie leva uma vida íntima ativa, mas precisa manter relações regulares para evitar que o canal interno se feche. Por não ter útero, ela não pode engravidar, mas realizou o sonho da maternidade com a ajuda da irmã, Danielle, que foi barriga de aluguel. A filha de Jackie, Greenleigh, nasceu por meio de fertilização in vitro, utilizando um óvulo de doadora e o esperma do marido de Jackie.
Durante a infância e adolescência, Jackie enfrentou o desafio de se sentir diferente das outras meninas, especialmente ao perceber que não menstruaria. Hoje, ela atua como ativista e educadora sobre a vivência de pessoas intersexo, comandando um podcast em que compartilha histórias e promove informação.
Apesar da visibilidade, Jackie também enfrenta preconceito e ataques online, sendo acusada de enganar o marido ou de não ser uma “verdadeira mulher”. Ela acredita que tais reações vêm da ignorância da sociedade, que ainda vê os corpos humanos de forma binária. Sua missão é mostrar que a biologia é mais diversa do que se ensina, e que respeito e empatia são fundamentais.