Oftalmologista do Nepal, Sanduk Ruit, 69 anos, é reconhecido mundialmente como o “Doutor da Visão” por ter transformado a vida de mais de 100 mil pessoas em comunidades carentes da Ásia e da África. Criador de uma técnica de baixo custo para cirurgia de catarata, ele leva atendimento a locais mais simples, muitas vezes montando centros cirúrgicos improvisados em aldeias remotas.
O impacto do trabalho é tão relevante que, em janeiro de 2025, o médico recebeu o Prêmio Isa do Bahrein por Serviços à Humanidade, concedido a pessoas que dedicam a vida a transformar realidades. Sua técnica, conhecida como SICS (Small Incision Cataract Surgery), revolucionou a oftalmologia ao reduzir custos de forma drástica. Enquanto em países desenvolvidos uma cirurgia pode custar até US$ 3 mil, ele realiza o mesmo procedimento por apenas US$ 25.
++ Homem volta a enxergar após 20 anos com lente implantada em dente
Para viabilizar isso, Ruit também criou um modelo de produção de lentes intraoculares em seu próprio instituto no Nepal. Antes, cada lente custava cerca de US$ 200 no mercado internacional. Com a fabricação local, o valor caiu para US$ 4, tornando o tratamento acessível e reduzindo pela metade os índices de cegueira evitável no país.
Fundador do Instituto Tilganga, em 1994, ao lado do médico australiano Fred Hollows, o oftalmologista transformou a instituição em referência mundial no treinamento de cirurgiões e na produção de lentes de baixo custo. Hoje, sua técnica é ensinada em universidades como Harvard e aplicada em mais de 20 países.
O modelo também se expandiu para a África com o Projeto Catarata do Himalaia, desenvolvido em parceria com o médico norte-americano Geoffrey Tabin. Só no continente africano, mais de 50 mil pessoas recebem tratamento todos os anos.
++ Lula diz que “muitos têm que ter pouco dinheiro” e declaração gera polêmica
A motivação para essa trajetória nasceu ainda na juventude, quando, aos 17 anos, perdeu a irmã por falta de atendimento médico. O episódio marcou sua vida e reforçou a promessa de combater o sofrimento causado pela desigualdade no acesso à saúde. Hoje, o Instituto Tilganga realiza cerca de 2.500 cirurgias por semana, quase metade delas gratuitas. “Os pobres merecem o melhor, não sobras”, costuma repetir o médico, transformando a frase em lema de sua missão.
Não deixe de curtir nossa página no Facebook , no Twitter e também no Instagram para mais notícias do PaiPee .


