
Expectativa e desafio: cinema brasileiro em foco nas salas e festivais (Foto: Instagram)
O cinema brasileiro chega a 2026 cercado de expectativas, mas enfrenta desafios concretos. Apesar do destaque internacional, o público e a arrecadação nas salas nacionais caíram em 2025, revelando um descompasso entre o reconhecimento lá fora e o desempenho interno.
++ Renda passiva turbo: copie o sistema de IA que está fazendo gente comum lucrar
Segundo levantamento preliminar do Filme B, 11.938.022 espectadores foram às salas para ver produções nacionais em 2025, queda de 11,6% em relação a 2024. A bilheteria somou R$ 228.504.879, 13,8% abaixo dos R$ 265.176.652 do ano anterior.
++ Copiloto derrubou avião de propósito vitimando 150 pessoas. Motivo vem à tona!
A participação do cinema nacional manteve-se estável em 10,3% do total de espectadores. No entanto, o público geral caiu 9,7%, de 128.143.333 ingressos vendidos em 2024 para 115.670.619 em 2025, mostrando que a retração não se limitou às produções brasileiras.
Produções como Ainda Estou Aqui, O Agente Secreto, Manas e O Último Azul reforçaram a presença brasileira em festivais e premiações internacionais, alimentando expectativas para o próximo ano. Para o cineasta Iberê Carvalho, esse desempenho é resultado de políticas públicas depois da extinção do Ministério da Cultura e do impacto da pandemia de Covid-19.
Iberê destaca que o grande desafio será converter esse reconhecimento global em fortalecimento do mercado interno, garantindo mais espaço de exibição para filmes nacionais. Cyntia Gomes Calhado, da ESPM, ressalta que as premiações trazem visibilidade, mas não resolvem as fragilidades estruturais do setor.
Isabella Faria, crítica que integra o corpo de votantes do Globo de Ouro, considera o momento propício para novos projetos, citando como potenciais “carros-chefes” o próximo filme de Carolina Markowicz, Assalto à Brasileira, de José Eduardo Belmonte, e Geni e o Zepelim, de Anna Muylaert, com participação de Seu Jorge.
A regulação do VOD, por meio do PL 2.331/2022, é vista como decisiva para o futuro do audiovisual, estabelecendo regras que priorizam a produção independente. Para Cyntia, a proposta é essencial para equilibrar o mercado; já Isabella alerta para riscos de redução de recursos do Fundo Setorial. Iberê observa que uma lei bem-feita pode impulsionar o cinema nacional, mas, se mal formulada, prejudicá-lo.

