
Zumbis psicodélicos simbolizam a ‘branding’ do tráfico de drogas (Foto: Instagram)
Investigadores identificaram um esquema de distribuição de entorpecentes que surpreendeu pelo uso de técnicas de marketing normalmente associadas ao comércio legal. O grupo criminoso embalava as drogas em sacolas customizadas com a logomarca da loja responsável pela logística, numa estratégia cuidadosamente planejada para reforçar o reconhecimento do “produto” junto aos compradores e dar impressão de profissionalismo ao serviço.
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Além da promoção disfarçada, as embalagens personalizadas facilitavam a identificação rápida do fornecedor em meio a diferentes concorrentes no mercado ilícito. Esse tipo de artifício, que lembra campanhas de posicionamento de marcas no varejo formal, também ajudava a manter a fidelidade de clientes e a disseminar indicações boca a boca, já que usuários podiam reconhecer a qualidade e a origem das substâncias por meio do material visual.
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Especialistas em segurança pública ressaltam que essas práticas evidenciam uma profissionalização crescente das organizações criminosas. Ao aplicar conceitos de design de embalagem, branding e logística ágil, os traficantes aprimoram sua capacidade competitiva e constroem uma imagem que, mesmo ilegal, segue padrões visuais e de atendimento ao cliente semelhantes aos de uma franquia ou rede de varejo.
As autoridades policiais, ao desarticular esse esquema, recolheram amostras das sacolas como prova de material de propaganda e reforço de marca. Durante as diligências, foram apreendidos diversos modelos de embalagens estampadas, o que permitiu estabelecer vínculo direto entre o estabelecimento logístico e as entregas de entorpecentes. Esses elementos subsidiaram a investigação e embasaram pedidos de bloqueio de contas bancárias e busca e apreensão.
Historicamente, o uso de embalagens para fortalecer a coerência de uma operação transcende o ramo legal e já foi observado em diferentes mercados ilícitos, como contrabando de eletrônicos, cigarros e até na venda de produtos falsificados. A inovação, neste caso, reside no fato de o propósito publicitário ter sido utilizado de forma tão explícita e organizada no comércio de drogas, abrindo precedentes para que órgãos de repressão aprimorem técnicas de identificação de “marca criminosa”.

