A Confederação Brasileira de Futebol anunciou, nesta terça-feira (27/1), a profissionalização da arbitragem na Série A do Campeonato Brasileiro, que passará a contar com árbitros vinculados oficialmente à entidade a partir de março. A medida abrange árbitros centrais, assistentes e especialistas em VAR, e pretende transformar a atuação desses profissionais em atividade de dedicação integral, oferecendo-lhes segurança financeira e melhores condições de trabalho.
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Segundo a CBF, o programa contará com um investimento mensal de R$ 1 milhão e reunirá um total de 72 profissionais. O modelo inclui remuneração fixa, manutenção dos valores pagos por partida e bônus atrelados ao desempenho individual, o que visa garantir estabilidade e estimular a excelência em campo. Além disso, os árbitros terão à disposição uma estrutura de apoio multidisciplinar.
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O anúncio foi apresentado pelo presidente da CBF, Samir Xaud, que ressaltou a importância de trazer os árbitros para o “centro das decisões” e não apenas destacar suas falhas. Samir Xaud destacou que a iniciativa corrige anos de descaso e falta de investimento em aspectos fundamentais, como preparo físico, apoio psicológico, tecnologia e instrução técnica. “Durante décadas, esses profissionais ficaram à margem das atenções, só aparecendo quando cometiam erros”, afirmou o dirigente.
Na explanação dos pilares do projeto, Samir Xaud detalhou que foram intensificados os treinamentos técnicos, ampliados encontros presenciais e introduzida tecnologia de ponta, como o impedimento semiautomático, cujo cronograma final depende de testes operacionais. A CBF também aproximou a arbitragem do centro de decisão, garantindo que homens e mulheres da elite nacional recebam suporte de preparador físico, fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo, além de avaliações periódicas.
Batizado de “Árbitros PRO”, o grupo de elite reunirá 20 árbitros principais, 40 assistentes e 12 especialistas em VAR. A escolha incluiu todos os brasileiros que integram o quadro da Fifa, bem como os profissionais com maior número de atuações e melhores avaliações da CBF nas temporadas de 2024 e 2025. Esse critério busca valorizar experiência consolidada e alto rendimento.
A profissionalização impõe ainda exigências operacionais rígidas. Cada árbitro terá uma rotina semanal de treinamentos físicos individualizados, supervisionados pela área de Ciências do Esporte da CBF, que monitorará dados coletados por relógios inteligentes. Esse acompanhamento técnico e biológico reforça a disciplina necessária ao desempenho consistente no campo.
O regulamento prevê quatro avaliações oficiais ao longo do ano, realizadas em Teresópolis, na Granja Comary, ou em outros centros de treinamento indicados pela CBF. As provas englobarão testes de condicionamento físico e simulações de jogo. O não alcance das metas estabelecerá afastamento até que o árbitro comprove recuperação.
Quanto à formalização jurídica, os contratos terão natureza de prestação de serviços, permitindo atividades paralelas, mas o formato incentiva dedicação exclusiva. Também está prevista, a cada temporada, a não renovação de vínculo dos dois árbitros com menor rendimento e a promoção de dois novos profissionais vindos de competições como a Série B, renovando continuamente o quadro de árbitros do Brasileirão.
No âmbito tecnológico, a CBF confirmou que a cabine de revisão do VAR será realocada — sempre que possível — para o lado oposto aos bancos de reservas, reduzindo a pressão externa. Além disso, após as checagens, o árbitro deverá anunciar a decisão ao público ao retornar ao gramado, contribuindo para maior transparência e compreensão imediata dos lances por clubes e torcedores.

