Um surto do vírus letal Nipah no estado de Bengala Ocidental, na Índia, mobiliza autoridades de saúde após a confirmação de cinco casos positivos entre profissionais de saúde de uma mesma unidade hospitalar. Os pacientes, que incluem médicos e enfermeiros, estão sob tratamento na capital Calcutá, onde um deles permanece em estado crítico. De acordo com o departamento de saúde local, cerca de 100 pessoas foram instruídas a cumprir quarentena para conter a propagação do agente infeccioso, que não possui vacina ou tratamento específico.
O vírus Nipah (NiV) é transmitido originalmente por morcegos que se alimentam de frutas, podendo contaminar humanos por meio de alimentos sujos ou contato direto com secreções e excreções de indivíduos infectados. A infectologista Kamilla Moraes, da UPA Vila Santa Catarina, ressalta a necessidade de vigilância diante da mobilidade global. “Atualmente não temos nenhum alerta sobre o vírus no Brasil. É importante sempre estarmos atentos aos surtos internacionais. No cenário de globalização, existe sempre um risco de transmissão. Mas no momento não temos nenhum alerta ou casos no país” afirma a especialista ao O Globo.
O quadro clínico da doença é grave, evoluindo de sintomas gripais comuns, como febre e dor de garganta, para complicações neurológicas severas. Em casos agudos, o vírus provoca encefalite e convulsões, podendo levar o paciente ao coma em um intervalo de 24 a 48 horas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a taxa de letalidade varie entre 40% e 80%, dependendo da agilidade da vigilância epidemiológica e da estrutura de atendimento médico local.
Identificado pela primeira vez em 1999, o Nipah é considerado pela OMS uma das doenças prioritárias para pesquisa e desenvolvimento devido ao seu potencial epidêmico. Historicamente, a transmissão entre humanos é frequente em ambientes hospitalares e familiares, como observado em surtos anteriores na Índia e em Bangladesh, onde metade dos registros ocorreu pelo cuidado direto a pacientes doentes. Sem medicamentos antivirais, o tratamento atual baseia-se exclusivamente em cuidados intensivos de suporte para as complicações respiratórias e neurológicas.

