Alerta de gatilho: maus-tratos contra animais são crimes previstos em lei. Denuncie pelo 190, pela Polícia Civil ou pelo Disque-Denúncia (181). A investigação sobre a morte do cão “Orelha”, um cachorro comunitário de 10 anos brutalmente agredido na Praia Brava, em Florianópolis, segue em curso. O delegado-geral de polícia de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, informou que dois dos quatro adolescentes apontados como suspeitos já deixaram o Brasil e estão nos Estados Unidos.
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Segundo o levantamento da Polícia Civil, as passagens aéreas dos dois jovens foram identificadas apenas na última segunda-feira (26/1), quando a delegacia foi notificada sobre o embarque. A operação de busca e apreensão, que visou cumprir mandados em endereços de investigados em Florianópolis, foi desencadeada no mesmo dia e resultou na apreensão de celulares e outros dispositivos eletrônicos para perícia.
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O delegado Ulisses Gabriel esclareceu ainda que a viagem da dupla para os Estados Unidos estava agendada antes do crime. A previsão é que ambos retornem ao Brasil na próxima semana, quando poderão ser ouvidos formalmente pelas autoridades. A Polícia Civil mantém contato com órgãos de cooperação internacional para assegurar a transferência de informações e garantias de comparecimento.
Esse mesmo dia marcou a realização de três mandados de busca e apreensão em casas de familiares de adolescentes suspeitos. Na ocasião, foram recolhidos diversos equipamentos eletrônicos, que passarão por análise pericial minuciosa. Esses materiais podem conter registros de mensagens, imagens e vídeos que ajudem a reconstruir a dinâmica dos fatos.
No Brasil, o crime de maus-tratos a animais está previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98), em seu artigo 32, que estabelece pena de detenção de três meses a um ano, além de multa. As autoridades reforçam a importância de denúncias e ressaltam que a tipificação de “cão comunitário” refere-se a animais que vivem em espaços públicos ou são cuidados por vizinhança, sem tutor formalizado.
O caso do cão “Orelha” mobilizou protetores independentes e organizações de defesa animal em Florianópolis, que realizam trabalho de vigilância em áreas como a Praia Brava. Esses animais muitas vezes dependem de alimentação e cuidados coletivos para sobreviver a ambientes de alta circulação turística e à presença de carros, banhistas e outros desafios.
Segundo depoimentos, o cachorro desapareceu e só foi encontrado dias depois, caído e agonizando. Ele foi levado a uma clínica veterinária, mas, em decorrência da gravidade das lesões, os profissionais não tiveram alternativa senão realizar a eutanásia para aliviar o sofrimento. A Polícia Civil investiga a morte desde 16 de janeiro e identificou ainda três adultos, parentes de adolescentes, suspeitos de coagir testemunhas ou atrapalhar o curso do inquérito.

