
Ministro do STF durante sessão que oficializa auditoria da CGU no Ibama e reforça plano da Funai (Foto: Instagram)
A decisão judicial divulgada nesta semana estabelece obrigações precisas para órgãos federais e reforça diretrizes ambientais previstas em lei. A Controladoria-Geral da União (CGU) foi incumbida de realizar auditoria no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), enquanto a Fundação Nacional do Índio (Funai) deve complementar o seu plano de gestão territorial. Além disso, determina-se que a União adote um conjunto de ações coordenadas para assegurar o cumprimento das metas ambientais definidas na Política Nacional sobre Mudança do Clima e em compromissos internacionais.
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No tocante à CGU e ao Ibama, o despacho exige a avaliação de todos os processos internos vinculados à fiscalização de desmatamento, à emissão de licenças ambientais e à aplicação de sanções administrativas. A auditoria deverá abranger análise documental e levantamento de dados históricos de infrações, além de entrevistas com servidores de diferentes unidades administrativas. O objetivo principal é identificar falhas nos controles internos, apontar sobreposições de competência e sugerir melhorias para otimizar a atuação do Ibama no monitoramento e proteção dos biomas brasileiros.
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Em relação à Funai, a complementação do plano foi definida como essencial para aprimorar a governança em terras indígenas e reforçar a proteção de povos tradicionais. O documento complementar deve incluir estudos detalhados sobre demarcação territorial, gestão de recursos hídricos e de fauna nativa, além de estabelecer mecanismos de participação efetiva das comunidades indígenas em decisões relativas ao uso da terra e à preservação do meio ambiente.
Por fim, a decisão judicial impôs à União a responsabilidade de implementar e articular políticas públicas que consolidem as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa, combate ao desmatamento ilegal e restauração de áreas degradadas. Entre as medidas sugeridas estão o fortalecimento de sistemas de monitoramento por satélite, a criação de programas de incentivo à economia de baixo carbono e a integração de ações entre ministérios ambientais, da agricultura e do desenvolvimento social.
Para dar seguimento à auditoria no Ibama, a CGU deverá apresentar, em prazo definido pela Justiça, um cronograma que contemple as etapas de planejamento, execução e avaliação dos resultados. O plano de trabalho deve prever, ainda, a utilização de ferramentas de análise de risco e de indicadores de desempenho, de modo a produzir diagnósticos acurados sobre a eficiência dos procedimentos de fiscalização e as deficiências que possam comprometer a proteção dos ecossistemas.
Com relação à Funai, espera-se que a instituição realize consultas públicas com organizações indígenas e órgãos de pesquisa para elaborar o complemento do seu plano de gestão. A participação de universidades e institutos de antropologia e ecologia também está prevista, com o intuito de embasar tecnicamente as recomendações de uso sustentável do solo e de combate a práticas invasivas. O novo plano deverá ser transparente, acessível e passível de revisão periódica.
As ações atribuídas à União envolvem ainda a destinação de recursos orçamentários compatíveis com as demandas ambientais, a definição de metas de fiscalização para o Ibama e a Funai e o acompanhamento contínuo dos indicadores de desmatamento, emissões de carbono e proteção de áreas indígenas. O cumprimento dessas determinações deverá ser monitorado pelo Poder Judiciário, que poderá estipular multas e sanções em caso de descumprimento. A medida reforça o compromisso do Estado brasileiro com a preservação do meio ambiente e com o desenvolvimento sustentável.

