
Pacotes com rótulos da “Confeitaria Maluca” usados para camuflar drogas em delivery (Foto: Instagram)
A falsa confeitaria usada por traficantes tinha como objetivo a venda de drogas por meio de um sistema de delivery, conforme revelou investigação realizada por autoridades policiais. Sem chamar atenção de vizinhos e clientes, o espaço contava com balcão, vitrines e até aroma de forno para disfarçar a movimentação ilícita de entorpecentes.
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Em operações conduzidas por equipes especializadas, foi apurado que a suposta loja de doces funcionava como fachada para camuflar a distribuição de substâncias proibidas. Os pedidos eram realizados por telefone ou aplicativos de mensagens, e as encomendas chegavam até a porta do comprador em embalagens semelhantes às de bolos e sobremesas, tornando quase impossível distinguir o ilícito de produtos tradicionais de confeitaria.
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A utilização de estabelecimentos comerciais como ponto de venda de entorpecentes não é uma novidade no combate ao crime organizado. Historicamente, traficantes já recorreram a padarias, mercadinhos e até salões de beleza para criar rotas de distribuição com baixo risco de abordagem policial. A inovação na modalidade delivery, porém, ampliou o alcance do comércio ilegal, atingindo áreas mais distantes e clientes que buscam conveniência.
Especialistas em segurança pública destacam que o formato de entrega rápida — que ganhou força no mercado de alimentação e produtos em geral — oferece vantagens logísticas para organizações criminosas. A mistura de produtos lícitos e ilícitos em um mesmo veículo dificulta a fiscalização, uma vez que os agentes de segurança precisam de indícios mais claros para a realização de abordagens e apreensões.
Do ponto de vista jurídico, a transformação de um ponto comercial em fachada para tráfico de drogas configura crime previsto na Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006). Além da pena pelo tráfico, os responsáveis podem responder por organização criminosa, caso fique comprovado envolvimento de várias pessoas em diferentes etapas do esquema, desde a compra dos insumos até a coordenação das entregas.
No Brasil, o sistema de delivery teve um crescimento exponencial durante a pandemia de Covid-19, com empresas de tecnologia expandindo operações e consumidores aderindo ao modelo para evitar deslocamentos. Essa mudança comportamental foi rapidamente observada por redes de traficantes, que adaptaram rotinas e criaram mecanismos de embalagem que imitassem produtos alimentícios, tornando ainda mais difícil o trabalho de repressão.
Para prevenir esse tipo de ação criminosa, autoridades recomendam o uso de inteligência artificial, sistemas de monitoramento de chamadas suspeitas e o treinamento de fiscais sanitários e municipais para identificar sinais de fraude em estabelecimentos. O cruzamento de dados de compras de insumos e de consumo de energia elétrica, por exemplo, pode indicar discrepâncias entre a movimentação comercial real e a registrada.
A população também é chamada a colaborar: denúncias anônimas via Disque Denúncia ou pela polícia comunitária podem encaminhar agentes a pontos de venda suspeitos. Combinadas, medidas de cooperação entre cidadãos, tecnologia e atuação integrada das forças de segurança têm se mostrado mais eficazes para desarticular redes de tráfico que se valem de fachadas empresariais para manter e expandir seus lucros ilícitos.

