
Desmame gradual de antidepressivos com suporte psicológico reduz recaídas (Foto: Instagram)
Pesquisa recente conduzida por especialistas em saúde mental mostrou que interromper medicamentos antidepressivos de forma lenta, combinado com estratégias de suporte psicológico, diminui o índice de recaídas em pacientes com depressão. O nível de efetividade desse processo de descontinuação assistida se equipara ao observado em quem mantém o uso regular do antidepressivo ao longo do mesmo período de acompanhamento.
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No protocolo de retirada gradual, os participantes receberam orientação psicológica sistemática, que incluiu sessões de terapia individual e técnicas de manejo de estresse. Esse acompanhamento estruturado permitiu reduzir sintomas de descontinuação, ofereceu ferramentas práticas para lidar com variações de humor e garantiu suporte em momentos de maior vulnerabilidade. Durante todo o estudo, houve monitoramento contínuo para identificar sinais iniciais de recaída e adotar intervenções precoces, o que favoreceu um índice de sucesso tão elevado quanto o da manutenção ininterrupta da prescrição inicial.
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A depressão, caracterizada por sintomas como tristeza profunda, perda de interesse e alterações no sono e apetite, atinge milhões de pessoas em todo o mundo e costuma exigir uso prolongado de medicamentos para estabilizar o quadro. Tradicionalmente, muitos profissionais optam por manter os antidepressivos por tempo indeterminado a fim de prevenir episódios recorrentes. No entanto, estudos anteriores já sugeriam que uma retirada mal planejada poderia desencadear efeitos de descontinuação e elevar o risco de retorno dos sintomas.
Sintomas como tontura, náusea, insônia e sensação de choque elétrico no cérebro são frequentemente relatados quando a redução de dose ocorre de forma abrupta. A estratégia de tapering, ou desmame gradual, visa evitar essas reações adversas ao diminuir pequenas quantidades do fármaco em intervalos regulares. Quando esse procedimento é aliado a suporte psicológico — por meio de abordagens como terapia cognitivo-comportamental, técnicas de relaxamento e acompanhamento psicoeducativo —, o paciente desenvolve habilidades para enfrentar pensamentos negativos e sinais precoces de recaída.
Esses achados trazem implicações importantes para médicos, psicólogos e gestores de saúde. A adoção de diretrizes que recomendem a retirada assistida pode reduzir custos ao minimizar casos de reinternação e tratamentos de crise. Além disso, promove a autonomia do paciente, que passa a participar ativamente das decisões sobre seu tratamento, contribuindo para adesão ao plano terapêutico e satisfação com o cuidado oferecido.
Ainda que o protocolo de descontinuação deva ser individualizado — considerando histórico clínico, grau de resposta e preferências de cada pessoa —, a pesquisa reforça a viabilidade de se estruturar um cronograma seguro de redução de doses. Para ampliar o alcance dessas recomendações, é fundamental capacitar profissionais de saúde, investir em serviços de psicologia e fomentar programas de educação voltados a pacientes que buscam interromper o uso de antidepressivos sem comprometer a estabilidade emocional.

