A Polícia Civil formalizou, na noite de quarta-feira (11/2), o indiciamento de Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração, sócios da academia C4 Gym, localizada no Parque São Lucas, Zona Leste de São Paulo, pelo homicídio com dolo eventual da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos. A acusação considera que os empresários assumiram o risco de expor frequentadores a produtos químicos na piscina, resultando na morte de Juliana Faustino Bassetto após aula de natação no sábado anterior.
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Os três proprietários compareceram, acompanhados de advogados, ao 42º Distrito Policial para prestar depoimento ao delegado responsável pelo caso. Em entrevista à TV Globo, o delegado Alexandre Bento afirmou ter solicitado a prisão preventiva de Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração, medida que dependerá de autorização do Poder Judiciário. A defesa, por meio de nota, informou ter ingressado com ação judicial para impedir eventual decretação de prisão, argumentando que os clientes “estão colaborando com o bom desenvolvimento das investigações”.
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No Brasil, o homicídio com dolo eventual é tipificado quando o agente não busca diretamente matar, mas assume o risco de produzir a morte ao praticar conduta potencialmente letal. Nesse enquadramento, a ação de manipular produtos químicos sem supervisão técnica e em ambiente com ventilação inadequada caracteriza conduta dolosa eventual. Após o indiciamento, o inquérito continuará em andamento, com novas diligências e oitivas previstas.
Segundo o delegado Alexandre Bento, há provas de que o manobrista Severino José da Silva, de 43 anos, seguia orientações diretas de Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração por mensagens de WhatsApp para preparar as substâncias aplicadas na piscina. Esses produtos químicos, se dosados ou combinados de forma incorreta, podem liberar gases tóxicos em ambiente fechado, causando irritações respiratórias e até edema pulmonar. A investigação busca mapear toda a cadeia de responsabilidade desde a aquisição dos insumos até o descarte.
No sábado (7/2), logo após encerrar a aula, a professora Juliana Faustino Bassetto apresentou mal-estar, saiu da piscina passando mal e foi levada ao Hospital Santa Helena, em Santo André, onde morreu horas depois. Juliana Faustino Bassetto é a primeira vítima fatal relacionada a esse incidente na C4 Gym, mas outras pessoas também sofreram intoxicação. Em situações similares, normas brasileiras de segurança em piscinas exigem treinamento e qualificação profissional para aplicação de produtos químicos, bem como laudos periódicos de qualidade da água e manutenção preventiva.
Relatos de frequentadores e ex-funcionários indicam que falhas no controle da água vinham ocorrendo nas semanas anteriores. Thygo Araújo, ex-instrutor de natação da C4 Gym, contou à TV Globo que aulas eram marcadas por cheiro forte e irritação na pele e nos olhos. Ele lembrou que, certa vez, um dos proprietários tentou corrigir o pH de forma improvisada, provocando nuvens de vapores irritantes e forçando a suspensão das atividades por mais de uma semana. De acordo com Araújo, a falta de um profissional habilitado sempre foi motivo de preocupação.
Em depoimento, o manobrista Severino José da Silva relatou ter recebido ligação de um dos donos no domingo (8/2), orientando-o a deixar a residência antes da chegada da polícia. Ele comentou que tentou contato com Celso Bertolo Cruz ao notar frequentadores passando mal, mas só obteve resposta horas depois, quando a academia já estava vazia. Segundo Severino José da Silva, a única instrução dada foi “Paciência”, sem orientações claras sobre procedimentos de emergência.
Além da morte de Juliana Faustino Bassetto, outras seis pessoas necessitaram de atendimento médico ou registraram boletim de ocorrência. Entre elas, Vinicius de Oliveira, marido da professora, internado em estado grave na UTI com insuficiência respiratória; um adolescente de 14 anos também em UTI; uma mulher de 29 anos que apresentou náuseas, vômitos e diarreia; um aluno que segue hospitalizado em leito comum; uma quinta vítima com quadro não divulgado; e uma sexta pessoa que procurou a delegacia relatando mal-estar. Os três sócios devem continuar prestando depoimentos conforme o andamento das investigações.

