
Reflexos distorcidos: quando o espelho não reflete a realidade. (Foto: Instagram)
O transtorno de dismorfia corporal é um distúrbio psicológico caracterizado pela preocupação excessiva com defeitos imaginários ou mínimos na aparência física. Quem sofre desse quadro costuma dedicar horas diárias à comparação de imagens, insatisfação frente ao espelho e pensamentos intrusivos sobre supostos defeitos estéticos. Essa percepção distorcida leva muitas pessoas a procurarem diversas intervenções cirúrgicas de forma compulsiva, esperando corrigir uma imperfeição que, na realidade, está mais ligada a fatores mentais do que a características objetivas do corpo.
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Em muitos casos, a busca incessante por procedimentos estéticos nada mais reflete do que uma tentativa de aliviar a angústia provocada pelo transtorno de dismorfia corporal. Pacientes podem chegar a realizar várias cirurgias em sequências curtas, sempre acreditando que a próxima intervenção vai finalmente satisfazer suas expectativas. Mesmo após resultados considerados bem-sucedidos por profissionais de saúde, o sofrimento persiste, pois a insatisfação com a própria imagem não tem origem apenas na aparência, mas em uma percepção distorcida e crônica.
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O diagnóstico de transtorno de dismorfia corporal baseia-se na identificação de comportamentos repetitivos e de rituais voltados para esconder, verificar ou modificar o suposto defeito. Esses comportamentos podem incluir camuflagem de determinadas áreas do corpo com maquiagens ou roupas especiais, toque constante, comparações frequentes com outras pessoas e busca por confirmação externa sobre a própria aparência. Para muitos, essa rotina interfere de modo significativo nas atividades diárias, nas relações sociais e na qualidade de vida, sendo essencial o reconhecimento médico e psicológico para interromper o ciclo de insatisfação.
Estudos indicam que o transtorno de dismorfia corporal pode afetar entre 1% e 3% da população mundial, sendo comum o seu início na adolescência ou início da fase adulta. Embora a busca por cirurgias plásticas ou procedimentos estéticos seja frequente, nem todo interessado em realizar intervenções presencia um quadro clínico desse transtorno. Profissionais de saúde recomendam avaliar o histórico de preocupações articuladas, o grau de sofrimento emocional associado e a constância das ideias antes de encaminhar o paciente para intervenções invasivas.
O tratamento do transtorno de dismorfia corporal envolve, principalmente, terapias psicológicas de abordagem cognitivo-comportamental, cujo objetivo é modificar padrões de pensamento distorcidos e reduzir comportamentos compulsivos. Em algumas situações, pode haver indicação de medicamentos, como inibidores seletivos de recaptação de serotonina, para aliviar sintomas de ansiedade e depressão que frequentemente acompanham o quadro. O apoio de um profissional capacitado é determinante para que o paciente desenvolva estratégias de aceitação e melhore sua autoestima.
Reconhecer que a busca constante por cirurgias pode esconder um transtorno de dismorfia corporal é um passo importante para promover saúde mental. A conscientização sobre este distúrbio ajuda a desestigmatizar a procura por apoio profissional e reforça a necessidade de abordagens integradas, envolvendo psiquiatras, psicólogos e cirurgiões. Só assim é possível oferecer um tratamento eficaz sem depender exclusivamente de soluções estéticas e garantir qualidade de vida aos afetados.

