
Vladimir Putin em seu gabinete enquanto a União Europeia exige explicações sobre a suspeita de envenenamento de Alexei Navalny (Foto: Instagram)
O Grupo de países europeus acusou a Rússia de empregar uma toxina derivada de um sapo nativo do Equador para tentar envenenar Alexei Navalny, conhecido crítico de Vladimir Putin. Segundo as nações envolvidas, análises preliminares de amostras biológicas recolhidas em Berlim apontam a presença de uma substância pouco comum, até então associada apenas a anfíbios de algumas regiões equatorianas. As autoridades europeias exigem explicações de Moscou sobre a origem e o uso desse agente.
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As investigações sugerem que o método de contaminação ocorreu em um dos últimos deslocamentos de Navalny à Europa, quando sua equipe relatou sintomas súbitos de fraqueza, náuseas e confusão mental. Fontes diplomáticas dizem que a substância, diferente dos já conhecidos agentes neurotóxicos soviéticos, exige manipulação específica, o que reforçaria a suspeita de um planejamento de alta complexidade pelas autoridades russas ou por agentes a serviço do Kremlin.
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Alexei Navalny ganhou notoriedade como líder de investigações anticorrupção e figura proeminente da oposição ao governo de Vladimir Putin. Em agosto de 2020, ele sobreviveu a uma tentativa de envenenamento com o agente neurotóxico Novichok, que o deixou em coma antes de ser transferido para tratamento na Alemanha. Desde então, Navalny tem denunciado sistematicamente abusos de poder e corrupção estrutural no executivo russo, tornando-se alvo frequente de medidas repressivas de Moscou.
O composto apontado pelos peritos europeus é uma toxina que pode ser classificada como alcaloide de anfíbio, similar à bufotenina, encontrada em glândulas e pele de certas espécies de sapos equatorianos. Estudos toxicológicos revelam que esse tipo de substância atua diretamente sobre o sistema nervoso central, provocando convulsões, aumento da pressão arterial e possível parada cardíaca em doses elevadas. A extração e estabilização do componente exigem laboratório especializado e acesso a espécimes raros em seu habitat natural.
A reação da Rússia foi imediata e oficializou a negação de envolvimento em qualquer ato de envenenamento. Em Moscou, porta-vozes do Kremlin qualificaram as acusações como “sem fundamento” e sugeriram que se trata de uma estratégia ocidental para deslegitimar o governo de Vladimir Putin. A escalada diplomática pressiona os laços de cooperação em segurança entre Rússia e União Europeia, exacerbando um clima de desconfiança que se estende desde o caso Skripal, em 2018, até o incidente com Novichok em 2020.
O episódio reforça o debate sobre a segurança de opositores políticos e a proliferação de agentes tóxicos de uso restrito. As potências europeias pedem investigação independente e definem um prazo para que a Rússia esclareça pontos-chave, sob pena de sanções adicionais. Resta saber se Alexei Navalny, internado em local ainda não divulgado, terá acesso a todo o suporte médico necessário e se os laços diplomáticos se deteriorarão ainda mais diante de novas revelações.

