
Descoberta em caverna subterrânea pode render novos antibióticos (Foto: Instagram)
Pesquisadores divulgaram recentemente uma análise detalhada do material genético de uma bactéria isolada em uma caverna subterrânea, apontando que os genes dessa cepa possuem potencial para orientar o desenvolvimento de novos antibióticos voltados ao enfrentamento de microrganismos resistentes. O trabalho científico destaca que ambientes inexplorados, como cavernas, podem abrigar microrganismos com características bioquímicas únicas, capazes de produzir moléculas antimicrobianas inéditas. A descoberta reforça a importância de se buscar fontes alternativas de compostos farmacêuticos em locais remotos e pouco estudados, diante do quadro alarmante de resistência bacteriana.
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No estudo, as amostras foram coletadas a dezenas de metros de profundidade, em uma galeria repleta de formações rochosas e condições de umidade e temperatura estáveis. A equipe de cientistas aplicou técnicas de sequenciamento de nova geração para mapear o genoma completo da bactéria em questão. Os resultados apontaram a presença de diversos genes associados a vias biossintéticas capazes de gerar substâncias com atividade antimicrobiana. A riqueza genética encontrada sugere que microrganismos adaptados a ambientes isolados podem ter evoluído mecanismos de defesa química mais sofisticados, ampliando o leque de moléculas bioativas disponíveis para pesquisa.
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O estudo ganha relevância diante do cenário global de aumento de patógenos multirresistentes, que dificulta o tratamento de infecções comuns e aumenta a mortalidade. Há décadas, os antibióticos eram extraídos basicamente de solos rurais e ambientes superficiais, mas a taxa de descoberta de novas classes químicas vem caindo. Nesse contexto, a exploração de genes de bactérias traz a esperança de identificar estruturas moleculares diferentes das atualmente conhecidas, capazes de agir de modo eficaz contra cepas que ignoram medicamentos convencionais. A pesquisa reforça a necessidade de inovação em bioprospecção e de parcerias entre microbiologistas, bioquímicos e farmacêuticos para superar desafios terapêuticos.
Para decifrar as instruções genéticas, a equipe utilizou ferramentas de bioinformática para localizar clusters de biossíntese de produtos naturais (BGCs) no genoma sequenciado. A seguir, genes selecionados passaram por expressão heteróloga em cepas-modelo, permitindo a produção em laboratório de pequenas quantidades dos compostos candidatos. Esses extratos foram então submetidos a ensaios in vitro para avaliar atividade antibacteriana, definindo concentrações mínimas inibitórias (CMI) contra diferentes bactérias-padrão. O processo demonstra como a combinação de sequenciamento metagenômico, análise computacional e técnicas de biologia sintética pode acelerar a descoberta de substâncias promissoras.
O próximo passo envolve testes pré-clínicos mais amplos, avaliação de toxicidade e otimização das moléculas para garantir eficácia e segurança em organismos superiores. Além disso, a pesquisa abre espaço para investigações em outras cavernas e ambientes subterrâneos, ampliando o catálogo de genes bioativos disponíveis. A perspectiva é que, em médio prazo, novos antibióticos oriundos desses estudos cheguem ao mercado, oferecendo alternativas terapêuticas para infecções que hoje não respondem aos fármacos existentes. Assim, o estudo dos genes de bactérias de cavernas pode se tornar uma peça-chave na luta global contra a resistência antimicrobiana.

