
Real Madrid e Benfica envolvem-se em polêmica após insulto racista em campo (Foto: Instagram)
Quando se admite desculpas tortas após o uso do termo “preto” como ofensa, a situação ainda comporta alguma tentativa de reparo. No entanto, ao recorrer à palavra “macaco” para se referir a uma pessoa negra, fecha-se qualquer possibilidade de volta atrás: trata-se de racismo em sua forma mais explícita e violenta.
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Esse uso do substantivo “macaco” transmite uma mensagem profundamente desumanizadora, pois associa o negro a um animal e reforça estereótipos históricos de inferioridade. Enquanto o insulto “preto” pode ter sido naturalizado em certos contextos, a expressão “macaco” não carrega ambiguidades: sua conotação sempre remete ao contexto de dominação e inferiorização de grupos raciais.
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Historicamente, a associação de pessoas negras a primatas tem raízes no período colonial e no tráfico transatlântico de escravos. Imagens e caricaturas usadas para justificar a escravização dos african@brasileir@s frequentemente representavam negros como seres menores, burr@s e próximos a animais. Esse estigma foi perpetuado por séculos em jornais, livros e propagandas, contribuindo para a naturalização de atitudes e expressões racistas.
O Brasil possui dispositivos legais específicos para combater o racismo e impor punições a quem utiliza palavras ou símbolos ofensivos com base na cor ou etnia. A Lei nº 7.716/1989, conhecida como Lei Caó, considera crime a prática de discriminar indivíduos por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. As sanções incluem detenção de um a três anos, além de multa, quando caracterizado o ato de chamar alguém de “macaco” por causa de sua cor.
Além do aspecto criminal, o insulto “macaco” lesiona a dignidade da vítima e agrava os traumas de quem é historicamente marginalizado. Instituições, empresas e órgãos públicos devem adotar medidas de conscientização e educação antirracista para coibir expressões de cunho ofensivo. A escola e o ambiente de trabalho, por exemplo, podem implementar treinamentos e campanhas que expliquem a gravidade desse tipo de ofensa.
A rejeição coletiva a termos que remetem à desumanização é fundamental para o combate ao racismo estrutural. Reconhecer que chamar alguém de “macaco” não é apenas um equivoco de linguagem, mas um ato que reforça hierarquias raciais e violência simbólica, é um passo essencial para construir uma sociedade mais justa e igualitária.

