Estação Primeira de Mangueira voltou à Marquês de Sapucaí no Desfile das Campeãs neste sábado (21/2) exibindo uma faixa em defesa do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Cintya Santos e Matheus Olivério, após o resultado oficial da apuração do Carnaval. A homenagem ressaltou o reconhecimento da escola pela performance do casal, tão aguardado pelo público e pelos integrantes da agremiação.
++ Aprenda a usar IA para criar novos negócios e gerar renda passiva
A manifestação surgiu depois que a escola recebeu três notas 9,9 no quesito reservado ao casal de mestre-sala e porta-bandeira, sendo uma delas descartada pelo regulamento, e apenas um 10 atribuído à apresentação de Cintya Santos e Matheus Olivério. Com esse resultado, o casal sofreu a perda de dois décimos na soma final e a escola terminou na sexta posição geral. No julgamento do samba-enredo, cada jurado atribui notas de 9,0 a 10,0, considerando técnica, sintonia, postura e coreografia.
++ Três técnicos de enfermagem são presos após suspeita de assassinatos em série na UTI
Logo atrás de Cintya Santos e Matheus Olivério, a faixa exibia a frase “A Estação Primeira de Mangueira manifesta todo apoio ao nosso casal Furacão da Mangueira, em defesa da dança ancestral”. A menção ao “Furacão da Mangueira” reforça o vínculo afetivo entre a escola e o casal, ao mesmo tempo em que valoriza a tradição da dança que remete às origens africanas presentes no samba-enredo.
O Desfile das Campeãs congrega as escolas vencedoras dos dois dias de Carnaval do Rio de Janeiro e permite uma nova exibição para o público e para convidados, sem caráter de disputa. É um momento de celebração e reconhecimento público do desempenho de cada escola, com foco na exaltação das alegorias, fantasias, bateria e, em especial, dos casais de mestre-sala e porta-bandeira.
Neste ano, a verde e rosa trouxe o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju, o guardião da Amazônia Negra”, concebido pelo carnavalesco Sidnei França. A proposta de Sidnei França buscou resgatar a história de Raimundo dos Santos Souza, conhecido como Mestre Sacaca, destacando seus saberes tradicionais na floresta e o valor cultural da região amazônica de influência negra.
Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca, é uma figura histórica ligada às manifestações culturais do Pará e exercitou práticas populares de preservação ambiental e cultural. Sua trajetória é associada à defesa dos modos de vida tradicionais da Amazônia Negra, e a escola de samba homenageou esses elementos por meio de alegorias que retrataram a fauna, a flora e o patrimônio imaterial da região.
Na composição do samba-enredo, o casal de mestre-sala e porta-bandeira Cintya Santos e Matheus Olivério teve papel central em traduzir movimentos e expressões que remetem às cerimônias ancestrais. A dança ancestral, valorizada pela Mangueira, faz referência a ritmos e passos passados de geração em geração, muitas vezes condicionados a rituais religiosos de matriz africana.
Estação Primeira de Mangueira, fundada em 1928, é uma das escolas mais tradicionais do Rio de Janeiro e mantém viva a missão de preservar narrativas sociais, históricas e culturais por meio do Carnaval. A repercussão do apoio à dupla Cintya Santos e Matheus Olivério evidencia a importância que a escola atribui aos seus ícones e ao respeito pelos compositores, ritmistas e passistas que constroem seu legado a cada ano.


