
Tabela de repasses detalha valores pagos a integrantes por região (Foto: Instagram)
Investigadores apontam que a facção criminosa mantinha um sistema estruturado de distribuição de recursos, segmentado tanto por região do país como pela função exercida pelos membros. Mensagens interceptadas em dispositivos apreendidos mostram Delinho e Neymar no núcleo responsável por coordenar o fluxo de repasses a integrantes. Esses registros indicam valores tabelados, cronogramas específicos e critérios claros para pagamentos, revelando a complexidade do esquema financeiro interno e o grau de hierarquia estabelecido pelos líderes regionais e pelos responsáveis pela logística.
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Segundo relatórios oficiais, cada área de atuação — Norte, Sul, Sudeste e Centro-Oeste — possuía coordenadores encarregados de repassar quantias variáveis conforme o volume de atividades ilícitas na localidade. Além disso, as funções internas iam de segurança e monitoramento até transporte de valores e comunicação codificada, cada uma com tabela própria de remuneração. Fontes apontam que as quantias repassadas variavam de acordo com o desempenho em atividades como tráfico de drogas e contrabando de armas, e que o sistema permitia ajustes rápidos na tabela conforme o aumento ou redução das ações criminosas em cada região. Especialistas em segurança pública ressaltam que essa segmentação geográfica e funcional fortalece o controle da facção sobre territórios e reforça o planejamento estratégico de suas operações.
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Dados das conversas apontam que Delinho atuava diretamente no estabelecimento de metas financeiras, definindo metas de arrecadação para cada líder regional, enquanto Neymar era citado como responsável por verificar a execução dos pagamentos e resolver pendências. Essa dupla aparece nas trocas de mensagens com instruções detalhadas sobre valores, prazos de liquidação e locais de entrega, o que comprova um nível de envolvimento operacional elevado. O material interceptado demonstra ainda rotinas de prestação de contas e auditorias internas para garantir transparência entre os membros do grupo.
As comunicações foram obtidas por meio de operações de inteligência, incluindo escutas telefônicas autorizadas pela Justiça e análises forenses em dispositivos eletrônicos. A criptografia aplicada nos aplicativos utilizados exigiu que peritos em informática criminal desenvolvessem técnicas de decodificação para acessar o conteúdo. As equipes envolvidas dedicaram meses à coleta de dados, integraram as informações a bancos de dados policiais e cruzaram relatórios de movimentação financeira com registros de inteligência. O trabalho conjunto entre perícias sentou bases técnicas que podem servir de modelo para futuras investigações de redes criminosas estruturadas. Em alguns diálogos, Delinho comentava sobre restrições orçamentárias, enquanto Neymar confirmava depósitos.
Especialistas em segurança lembram que facções criminosas brasileiras há décadas adotam mecanismos semelhantes de divisão de recursos, misturando lógica de empresas com atividades ilegais. Esse tipo de estrutura hierárquica e segmentada permite maior eficiência no controle de áreas de influência e fidelização de membros, reduzindo riscos de vazamentos e disputas internas. A experiência também reforça a importância de investimentos em tecnologia de vigilância eletrônica e capacitação de peritos, além de cooperação interestadual para rastrear fluxos de recursos. Nos tribunais, a apresentação desse tipo de prova eletrônica tende a ser determinante na comprovação do vínculo entre os líderes e as atividades executadas no chão.


