
Tarcísio de Freitas em evento ‘Rota da Água’ alerta para uso político de eventual crise hídrica na discussão sobre a privatização da Sabesp (Foto: Instagram)
Tarcísio avaliou a interlocutores que um eventual cenário de crise hídrica seria explorado por adversários para questionar a desestatização da Sabesp. Segundo declarações obtidas entre membros de seu círculo próximo, a ideia central é que críticos da medida aproveitariam qualquer escassez de água ou dificuldade no fornecimento como argumento para atacar o processo de venda de participação pública na companhia. O receio aponta para uma estratégia de campanha antecipada, na qual casos pontuais de racionamento ou falhas pontuais de infraestrutura serviriam como munição política.
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Em meio a esse debate, adversários da desestatização concentram críticas em possíveis aumentos de tarifas e na perda de controle sobre serviços essenciais. Para esses opositores, a privatização da Sabesp abriria espaço para reajustes de preços e redução nos padrões de atendimento, principalmente em regiões mais vulneráveis. Já defensores da venda argumentam que novos investimentos privados poderiam aprimorar a estrutura de distribuição e ampliar a eficiência operacional, atraindo recursos e tecnologias.
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A desestatização da Sabesp faz parte de um programa de atrair capital privado para o setor de saneamento, com o objetivo de acelerar obras de ampliação de rede, modernizar estações de tratamento e universalizar o acesso ao serviço. Desde sua criação, a Sabesp tem sido responsável pelo abastecimento de água e pelo tratamento de esgoto no estado de São Paulo, atendendo milhões de habitantes diariamente. O projeto de venda de ativos envolve concessões de fatias societárias que hoje estão sob controle do poder público, incluindo a oferta de ações preferenciais no mercado.
O receio de Tarcísio sobre a manipulação política de um eventual desabastecimento ganha força diante de levantamentos técnicos que apontam risco de vulnerabilidade em períodos de estiagem prolongada. Eventos climatológicos atípicos, como redução de chuvas em sistemas estratégicos de captação, podem demandar medidas emergenciais, como rodízios de fornecimento. Nesse cenário, opositores estariam prontos para responsabilizar diretamente a gestão que conduziu o desinvestimento.
Historicamente, crises hídricas anteriores já serviram de estopim para embates políticos e judiciais, com ações coletivas e investigações sobre concessões de contratos e metas de atendimento. A discussão sobre a privatização da Sabesp retoma essas controvérsias, adicionando o componente de mercado de capitais e a expectativa de retorno financeiro para acionistas privados. Em paralelo, especialistas ressaltam a importância de cláusulas contratuais que garantam estabilidade tarifária e padrões mínimos de qualidade.
Com o cenário desenhado, caberá ao governo e à própria Sabesp demonstrar segurança nos estudos de viabilidade, com projeções de abastecimento e cenários alternativos em caso de déficit. Tarcísio e sua equipe antecipam que a comunicação sobre investimentos, metas e garantias será determinante para enfrentar a pressão dos adversários. A aproximação de prazos para a oferta de ações e a necessidade de aprovação em órgãos reguladores tornam o debate ainda mais relevante no calendário político e econômico.


