
Tragédia envolvendo van clandestina e caminhão reforça riscos das viagens irregulares (Foto: Instagram)
Uma colisão entre uma van de transporte de passageiros e um caminhão em uma rodovia federal reacendeu a discussão sobre a frequência de viagens clandestinas em rotas intermunicipais e interestaduais. O acidente, que deixou várias pessoas feridas e provocou interdição parcial da via, trouxe à tona a vulnerabilidade de usuários que optam por alternativas informais de transporte.
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O termo “viagem clandestina” refere-se a deslocamentos feitos sem a autorização dos órgãos reguladores, sem seguro adequado e sem cumprir as normas de segurança. Em muitos casos, passageiros buscam preços mais baixos e horários flexíveis, mas correm o risco de veículos mal conservados, sem itens básicos como cintos de segurança e tacógrafos. Organizações de defesa do consumidor apontam que a falta de fiscalização amplia a oferta de vans e utilitários irregulares, incentivando operadores a ignorar limites de lotação e intervalos de descanso para motoristas.
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No Brasil, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) é o órgão responsável pela autorização de linhas de ônibus interestaduais e internacionais. Para operar legalmente, as empresas devem atender a requisitos técnicos como certificação veicular, seguro DPVAT e registro de itinerário. Quando agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) identificam transporte irregular, aplicam multas e apreendem o veículo. Contudo, falhas na fiscalização e a extensão da malha viária dificultam o controle, especialmente em trechos remotos onde a presença policial é menos constante.
Pesquisas da Associação Brasileira de Transportes (ABTrans) apontam que o número de veículos não cadastrados para transporte remunerado cresceu nos últimos cinco anos. Pequenas vans, micro-ônibus e kombis passam despercebidos em rodovias secundárias e estradas vicinais, oferecendo conforto precário e preços até 40% inferiores aos das linhas convencionais de ônibus. Além do risco de acidentes, os passageiros ficam desprotegidos em caso de sinistro, já que muitas dessas operações não contam com apólices de seguro vigentes nem cobertura para danos pessoais.
Para inibir as viagens clandestinas, a Polícia Rodoviária Federal intensificou operações de rotina em corredores de transporte interestadual. Barreiras de fiscalização são montadas em pontos estratégicos e blitzes móveis buscam coibir a prática. Estados e municípios também promovem parcerias para compartilhar informações e otimizar o patrulhamento. Além disso, campanhas educativas alertam a população sobre os perigos de embarcar em veículos não autorizados, enfatizando a importância de optar sempre por serviços regulares.
A tragédia recente reforça a necessidade de uma abordagem coordenada entre órgãos federais, estaduais e municipais, aliada à participação ativa dos usuários. Consumidores têm papel fundamental ao verificar licenças, checar procedência das empresas e exigir comprovação de seguro antes de viajar. Somente com maior rigor na fiscalização e conscientização sobre os riscos será possível reduzir incidentes envolvendo transporte clandestino e garantir viagens mais seguras nas rodovias brasileiras.


