Rodrygo se tornou, em 2026, mais um integrante de uma lista que já conta com Romário, Émerson, Edmílson, Daniel Alves e Guilherme Arana — atletas que viram suas trajetórias nas Copas do Mundo interrompidas por lesões graves. O atacante do Real Madrid rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito e lesionou o menisco em partida de clube, descartando-se para o Mundial e gerando frustração tanto na comissão técnica quanto na torcida. Romário, Émerson, Edmílson, Daniel Alves e Guilherme Arana também sofreram afastamentos que os impediram de vestir a amarelinha na hora mais decisiva.
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A reciprocidade entre preparação física e calendário de competições deixa claro o impacto direto das lesões no planejamento de uma seleção. Quando o departamento médico entra em ação, qualquer movimento equivocado, do treino leve ao duelo oficial de clubes, pode provocar fissuras ou rupturas nos ligamentos, tensão excessiva nos músculos e sobrecarga articular. Em ciclos de quatro anos, um único deslize na pré-temporada ou em amistoso decisivo basta para transformar projeções de sucesso em reparos cirúrgicos, pausas obrigatórias e substituições emergenciais na lista de convocados.
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Em 1998, Romário chegou à reta final de treinos para a Copa da França como principal referência do ataque, após o título de 1994. Contudo, uma lesão na panturrilha travou a preparação. Romário queria insistir nos exercícios e garantir a própria presença, mas o departamento médico avaliou alto risco de agravamento se o atleta participasse do torneio. O técnico Zagallo decidiu afastá-lo da lista definitiva, decisão que gerou forte repercussão entre a imprensa, torcida e o camisa 11, consagrando-se como um dos cortes mais dramáticos da história da seleção.
Durante a preparação para a Copa de 2002, Émerson figurava como capitão natural, indicado por Luiz Felipe Scolari para conduzir a equipe rumo ao pentacampeonato. Em um rachão descontraído, improvisado como goleiro, o volante sofreu uma queda que resultou em luxação grave no ombro, obrigando a saída de última hora e a convocação de Ricardinho, enquanto Cafu assumiu a braçadeira. Já Edmílson, campeão mundial em 2002 ao lado de Émerson, vivenciou o oposto em 2006: com a vaga praticamente assegurada para o Mundial da Alemanha sob comando de Carlos Alberto Parreira, uma lesão no joelho durante fase de preparação derrubou o volante, que viu seu lugar ocupado por Mineiro.
No Mundial de 2018, Daniel Alves era um dos líderes experientes do grupo treinado por Tite e vinha de temporada vitoriosa no Paris Saint-Germain. Entretanto, uma lesão ligamentar no joelho direito, ocorrida na final da Copa da França, eliminou o lateral-direito da Copa da Rússia poucos dias antes do início do torneio. Em 2022, Guilherme Arana, titular consolidado ao longo das Eliminatórias, sofreu grave lesão no joelho esquerdo meses antes da estreia no Catar, abrindo espaço para Alex Telles e confirmando a dependência de ajustes imediatos por parte do comando técnico.
O caso de Rodrygo em 2026 reforça a natureza imprevisível e implacável das lesões em ciclos de Copa do Mundo. Especialistas estimam que a recuperação de uma ruptura de ligamento cruzado anterior, aliada a danos no menisco, leve de seis a doze meses de reabilitação intensa, envolvendo fisioterapia, fortalecimento muscular e readaptação ao esforço de alto rendimento. Com o calendário de clubes cada vez mais apertado, o risco de novas fraturas ou agravos permanece elevado, exigindo vigilância máxima dos departamentos médicos.
Casos como os de Romário, Émerson, Edmílson, Daniel Alves, Guilherme Arana e agora Rodrygo mostram que a maior competição de seleções do futebol mundial é também uma prova de resistência física, decidida muito antes do apito inicial. Para o Brasil, cada corte motiva revisões rápidas no elenco; para os jogadores, as lesões deixam cicatrizes que repercutem ao longo de toda a carreira, ainda que muitos, a exemplo de Émerson e Daniel Alves, tenham voltado a brilhar em outros momentos vestindo a camisa canarinho.


