Em entrevista ao Extra, Sônia Moura, mãe de Eliza Samudio, falou pela primeira vez sobre a decisão que determinou a prisão de Bruno Fernandes após a revogação do livramento condicional. O goleiro, condenado a 22 anos de reclusão pelo assassinato da modelo em 2010, retomou atividades profissionais em fevereiro, mas teve o benefício cassado por não cumprir requisitos do regime semiaberto. O mandado de prisão foi expedido para que ele retorne ao sistema prisional ainda nesta quinta-feira (6/3).
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Sônia Moura ressaltou uma coincidência entre as datas: Bruno Fernandes foi condenado pela primeira vez no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março de 2013, no processo referente à morte de Eliza Samudio, e agora recebe nova ordem de prisão em data próxima àquela. “Bruno foi julgado, condenado e recebeu a sentença da mãe de uma mulher no Dia Internacional da Mulher, em 2013. E hoje ele recebe essa nova condena muito próximo da data. Tenho que dar os parabéns para esse juiz, achei que ele fosse ser conivente e passar a mão na cabeça de Bruno como vi tantas e tantas vezes”, afirmou a matriarca.
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A mãe de Eliza Samudio também celebrou a mudança de perspectiva com o retorno de Bruno Fernandes à unidade prisional. Ela destacou que o livramento condicional, previsto no Código de Processo Penal, exige cumprimento de requisitos como residência fixa, trabalho lícito e comparecimento periódico em juízo. “Que a Justiça consiga olhar com mais empatia porque nós, familiares que ficam, estamos sequelados para sempre, e tem muita gente que não sabe a diferença de um erro e de uma pessoa que comete crime (…) Eu, hoje, estou um pouco mais crente que a Justiça está fazendo seu papel, como deve ser feita. Espero que não seja só no meu caso, que seja em todos que estão surgindo”, afirmou Sônia Moura.
“O Bruno pisa na cabeça da Justiça. Ele ficou três anos sem atualizar o endereço e o oficial de Justiça atrás dele por questão da pensão. Vamos ver se vão encontrar ele no endereço que deu. Vamos esperar para ver o que a Justiça vai fazer, porque a gente não pode fazer nada, não podemos usar os mesmos meios que ele usa, vamos pelos legais, até porque não somos mau-caráter como ele”, desabafou Sônia Moura em referência à dificuldade de fiscalização dos beneficiários de regimes semiabertos, que permitem trabalho externo e cumprimento de pena em colônia agrícola ou indústria, mas cobram formalidades que o condenado deve observar.
Eliza Samudio foi morta em 10 de junho de 2010, em Vespasiano (MG), sob sequestro e assassinato a mando de Bruno Fernandes, então jogador do Flamengo. A ação violenta teve repercussão nacional e resultou na condenação do atleta a 22 anos de prisão em regime fechado. Até hoje, os restos mortais da modelo não foram localizados, o que dificulta investigações complementares e reforça a dor da família.


