O estado de saúde do jornalista Felipeh Campos, que está internado após diagnóstico de dengue hemorrágica, reacendeu um alerta importante: os perigos da automedicação diante de suspeita da doença. Com uma queda acentuada nas plaquetas e relato de uso de medicamentos sem prescrição, o caso mostra como práticas comuns podem piorar de forma significativa a evolução clínica. Em entrevista ao portal LeoDias, o infectologista Dr. Edmilson Migowski explicou que a dengue pode começar de maneira leve, mas evoluir rapidamente para quadros graves, muitas vezes quando o paciente acredita já estar se recuperando.
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“Sim, é possível a pessoa apresentar dengue hemorrágica em uma fase mais leve, e não é o quadro inicial que determina a gravidade, mas sim a evolução do caso. Saiba que, em geral, as viroses começam bem. Eu costumo brincar dizendo que, no início, é oba-oba, depois vira epa-epa, pois a gravidade pode surgir conforme a doença evolui”, afirmou.
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No caso de Felipeh, a automedicação foi um fator de risco relevante. Sem saber que estava com dengue, ele fez uso de anti-inflamatórios, o que pode ter contribuído para o agravamento do quadro e o aparecimento de hemorragias.
“Eu sempre digo que ninguém deve se automedicar, nem mesmo médicos. Veja que, neste caso do paciente [Felipeh Campos], ele relatou que achou que era um resfriado, e realmente as viroses podem ser parecidas, e aí ele toma o quê? Um anti-inflamatório, que é proibido para quem tem dengue devido ao risco aumentado de sangramento”, explicou.
O especialista detalha que esses remédios interferem diretamente na função das plaquetas, que já estão em baixa devido à infecção viral.
“Então, ele já está com as plaquetas baixas, aí faz uso de um anti-inflamatório que reduz a agregação plaquetária, diminui a função da plaqueta, então você tem uma diminuição no número de plaquetas e uma disfunção dessas plaquetas causada por alguns medicamentos”, completou.
Quais medicamentos são proibidos?
Segundo o infectologista, alguns remédios são formalmente contraindicados em casos suspeitos ou confirmados de dengue, justamente por aumentarem o risco de sangramentos graves.
“Está formalmente contraindicado em pacientes com dengue ou suspeita de dengue o uso de ácido acetil salicílico, que é a aspirina, além de outros anti-inflamatórios.”
Entre os principais medicamentos que devem ser evitados estão:
– Ácido acetilsalicílico (AAS)
– Ibuprofeno
– Diclofenaco
– Nimesulida
– Cetoprofeno
– Naproxeno
– Corticoides, como dexametasona e prednisona
Por outro lado, para controle da dor e febre, os mais usados são dipirona e paracetamol, ainda assim, com cautela.
“Em tese, o paracetamol e a dipirona são antitérmicos que não interfeririam na agregação plaquetária. Por isso, acabam sendo recomendados mais do que os demais”, disse, ressaltando a necessidade de atenção ao fígado. “O paracetamol é o medicamento que mais pode agredir o fígado. E no paciente com dengue, a hepatite não é exceção, é regra.”
Dengue pode piorar mesmo sem febre
Outro ponto de atenção é que a piora da dengue costuma ocorrer justamente quando a febre desaparece, o que pode fazer com que pacientes subestimem a gravidade.
“A dengue tende a agravar por volta do quinto ou sexto dia da doença, quando frequentemente o paciente já não apresenta febre. E é aí que as pessoas muitas vezes se descuidam”, alertou.
Entre os principais sinais de alerta estão:
– Dor abdominal intensa
– Sangramentos (gengiva, nariz, aumento do fluxo menstrual ou manchas pelo corpo)
– Vômitos persistentes
– Queda da pressão arterial
“Diante de um quadro desses (…) é fundamental que a pessoa retorne ao serviço médico de urgência, mesmo que tenha ido ao médico há 6, 8 ou 10 horas”, reforçou.
Reinfecção aumenta risco de gravidade
Felipeh enfrenta a doença pela terceira vez, o que também pode ter colaborado para o agravamento. Segundo o especialista, infecções anteriores elevam o risco de quadros mais graves.
“Sim, quadros infecciosos subsequentes tendem a ser mais graves porque há uma resposta inflamatória maior e maior chance desse vírus se replicar e causar um quadro mais severo”, explicou.
Isso se deve ao fato de existirem quatro tipos diferentes do vírus da dengue, e uma nova infecção por outro sorotipo pode desencadear uma resposta mais intensa do organismo.
Prevenção ainda é essencial
Apesar da existência da vacina, o combate ao mosquito transmissor segue sendo a principal medida de prevenção.
“Além da vacina, o fundamental é combater o vetor, lembrando que 80% dos criadouros do mosquito estão dentro das casas das pessoas”, destacou.
– Ele reforça a importância de eliminar a água parada em locais como:
– Vasos de plantas
– Calhas
– Garrafas e recipientes nos quintais
– Bandejas de geladeira e ar-condicionado
– Ralos pouco utilizados


