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Estresse afeta memória e atenção, diz psiquiatra Eduardo Perin

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Cérebro em alerta: o impacto do estresse na memória (Foto: Instagram)

Esquecer compromissos, ter "brancos" em provas ou perder o raciocínio sob pressão são situações comuns e têm explicação científica. Quando o corpo está estressado, o cérebro aciona um mecanismo primitivo chamado "luta ou fuga", que prioriza respostas rápidas a ameaças potenciais.

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Nesse contexto, funções cognitivas mais complexas, como memória e atenção, ficam em segundo plano. Segundo o psiquiatra Eduardo Perin, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, esse processo altera diretamente o funcionamento mental.

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Ele explica que, sob estresse, o cérebro ativa o sistema de "luta ou fuga", priorizando respostas a urgências ou ameaças, o que reduz a eficiência de funções cognitivas mais refinadas, como atenção e memória de trabalho. Na prática, isso significa que a mente se concentra mais em lidar com a pressão do que em registrar ou recuperar informações, explicando lapsos de memória em situações estressantes.

A influência do estresse na memória está também ligada à ansiedade. De acordo com Perin, pensamentos de preocupação constante consomem recursos mentais importantes. A ansiedade consome recursos da memória de trabalho e prejudica a atenção, tornando a pessoa mais focada em preocupações e menos disponível para raciocinar claramente.

Do ponto de vista biológico, o estresse ativa um sistema hormonal conhecido como eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável pela liberação de substâncias como cortisol e adrenalina. A neuropsicóloga Sandra Schewinsky, do Hospital Sírio-Libanês, explica que esses hormônios são essenciais em situações pontuais, mas prejudiciais quando elevados por muito tempo.

Quando o cortisol permanece elevado por períodos prolongados, como no estresse crônico, ele pode prejudicar o funcionamento de áreas importantes do cérebro, afetando a capacidade de registrar, consolidar e recuperar informações. O excesso de estresse prejudica a comunicação entre áreas do cérebro, comprometendo a memória. As principais áreas afetadas são o hipocampo, a amígdala e o córtex pré-frontal.

Nem todo esquecimento é motivo de preocupação. Em muitos casos, as falhas de memória são temporárias e desaparecem quando o estresse diminui. No entanto, quando a pressão é intensa e prolongada, os impactos podem ser mais duradouros. Perin alerta que o estresse crônico afeta circuitos cerebrais importantes, resultando em lentidão, distração, erros e dificuldade de organização.

Schewinsky destaca que o problema pode ir além da memória, estando associado a riscos de condições como AVC, infarto e problemas metabólicos. A memória de curto prazo é geralmente a primeira afetada, mas em casos graves, a memória de longo prazo também pode ser comprometida.

Fatores do dia a dia têm intensificado o impacto do estresse na memória. Os principais são excesso de trabalho, privação de sono, uso constante de telas e redes sociais, e exposição contínua a informações. Isso fragmenta a atenção e muitas vezes prejudica o sono, comprometendo a atenção e funções executivas.

Falhas de memória ocasionais são comuns, mas alguns sinais indicam a necessidade de avaliação profissional. É importante buscar ajuda quando lapsos interferem no trabalho, estudos ou relacionamentos, ou vêm acompanhados de insônia, ansiedade intensa ou exaustão.

A boa notícia é que o cérebro pode se recuperar se o estresse for controlado. Especialistas recomendam melhorar a qualidade do sono, praticar atividade física, fazer pausas, reduzir o uso de telas, investir em relações sociais e praticar técnicas de relaxamento. A terapia cognitivo-comportamental pode ajudar a reduzir pensamentos negativos, liberando recursos mentais e melhorando a atenção e registro de informações.

Esquecer coisas sob pressão não é necessariamente um problema grave. Na maioria das vezes, é apenas o cérebro lidando com sobrecarga. Mas ignorar sinais persistentes pode ser prejudicial. Se o estresse se tornou rotina e a memória começou a falhar com frequência, o caminho mais inteligente é desacelerar e cuidar da saúde mental.

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