
Desistência de Ratinho Jr.: legado, Trotsky e a ‘terceira via’ (Foto: Instagram)
O governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), decidiu não concorrer à Presidência da República. Ele também não disputará uma vaga no Senado, apesar de ter chances. Mas por que essa decisão? Quem já foi militante trotskista, como eu fui até os 21 anos, conhece a expressão "fatores distintos e combinados" para explicar eventos. Embora Trotsky não tenha escrito exatamente isso, a ideia ficou popular. Muitas vezes, eventos são movidos por motivações diferentes que acabam se combinando.
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Ratinho Jr. quer proteger seu legado, que considera único, e não pretende entregá-lo facilmente a Sergio Moro, que está indo para o PL. Ele poderia facilmente conquistar uma vaga no Senado, mesmo sem muito esforço. Ratinho Jr. e Moro poderiam se aliar? Parafraseando Bocage, eles têm pensamentos semelhantes, mas suas diferenças podem ser um obstáculo. Ainda assim, não é algo impossível de superar.
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Essa é uma das razões. Outra é que nunca houve uma real demanda por uma "terceira via" ou "candidato alternativo". Isso é uma invenção de alguns pesquisadores que venderam a ideia de "polarização". A maioria das pessoas, ao serem perguntadas, rejeita tanto Lula quanto Bolsonaro, mas isso não significa que buscam uma alternativa viável. Na prática, a maioria acaba optando por Lula ou Bolsonaro.
A noção de "polarização" não é uma doença ou imposição dos líderes. O erro da tese está aí. A "terceira via", como Flávio a chamou de "sequelada", deveria ser um verdadeiro caminho alternativo, não apenas uma trilha obscura ao lado da primeira ou segunda via.
Alguém duvida que Ronaldo Caiado, se for candidato pelo PSD, apoiará Flávio no segundo turno? E Ratinho Jr.? É difícil imaginar Eduardo Leite pedindo apoio a Lula contra Flávio. Trotsky, Bocage e o Apóstolo Paulo ajudam a entender o cenário: se as coisas inanimadas não emitirem sons claros, como saberemos o que está sendo tocado? Assim, se não pronunciarmos palavras claras, como entenderemos o que está sendo dito?
Sempre afirmei que o candidato de Bolsonaro seria um Bolsonaro. E esse papo de "polarização" é um dos conceitos mais tolos que já vimos no debate político do país. Trotsky, Bocage e São Paulo nos ajudam a entender a questão proposta pelo partido de Gilberto Kassab e Ratinho Jr., conforme ilustrado no início deste texto.


