
Exame clínico avalia a tireoide em pacientes com suspeita de Hashimoto (Foto: Instagram)
A tireoide, uma pequena glândula situada na parte frontal do pescoço, tem a função de produzir hormônios que controlam o metabolismo corporal. Quando há interferências nesse processo, diversos sistemas do corpo podem ser afetados. Esse é o caso da tireoidite de Hashimoto, uma condição autoimune relativamente comum, especialmente em mulheres.
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De acordo com especialistas, a doença ocorre quando o sistema imunológico ataca a glândula por engano, levando a uma inflamação crônica que pode prejudicar a produção de hormônios ao longo do tempo.
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QUANDO O CORPO ATACA A PRÓPRIA TIREOIDE
Conforme explica a endocrinologista Érika Fernanda de Faria, do Hospital Santa Lúcia Gama, a doença é desencadeada por um erro no sistema de defesa do corpo. “O sistema imune, que normalmente nos protege contra infecções, começa a produzir autoanticorpos que atacam erroneamente a tireoide. Esses anticorpos destroem progressivamente a glândula, diminuindo sua capacidade de produzir hormônios de forma adequada”, esclarece ela. Os principais anticorpos identificados são o anti-tireoperoxidase (anti-TPO) e o anti-tireoglobulina (anti-TG), ambos dirigidos contra estruturas da glândula.
Com a destruição gradual das células da tireoide, muitos pacientes acabam desenvolvendo hipotireoidismo, uma condição na qual a produção hormonal se torna insuficiente.
SINTOMAS PODEM APARECER GRADUALMENTE
A endocrinologista Fernanda Vaisman, diretora do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, afirma que os sintomas geralmente surgem quando o hipotireoidismo já está presente. “Os sintomas são inespecíficos e podem variar desde cansaço, queda de cabelo, unhas quebradiças e alterações menstruais até quadros mais graves, como fraqueza muscular e inchaço”, explica.
Também podem ocorrer:
- Sonolência excessiva;
- Dificuldade de concentração;
- Ganho de peso;
- Pele seca;
- Intolerância ao frio;
- Intestino mais preso.
Devido à semelhança com sintomas de outras condições, muitas pessoas demoram a buscar avaliação médica.
POR QUE A DOENÇA SE MANIFESTA?
As causas da tireoidite de Hashimoto ainda não são completamente compreendidas. Pesquisas indicam uma combinação de predisposição genética e fatores ambientais. Segundo Érika Fernanda de Faria, indivíduos com histórico familiar de doenças autoimunes têm maior risco de desenvolver a condição. “O sexo feminino é mais afetado, e pacientes com doenças autoimunes pré-existentes podem desenvolver outras ao longo da vida”, destaca.
Fernanda Vaisman acrescenta que certos fatores podem desencadear o processo em pessoas predispostas. “Essa disfunção imunológica é genética e pode surgir em momentos específicos da vida, como no pós-parto ou após infecções virais”, afirma.
COMO SE FAZ O DIAGNÓSTICO
O diagnóstico começa a partir de suspeitas clínicas e é confirmado por exames de sangue. Os principais testes incluem:
- TSH, que avalia o funcionamento da tireoide;
- T4 livre, relacionado aos hormônios produzidos pela glândula;
- Anticorpos anti-TPO e anti-tireoglobulina.
Em alguns casos, o médico pode solicitar uma ultrassonografia da tireoide, que pode revelar sinais de inflamação crônica.
O TRATAMENTO DEPENDE DA FUNÇÃO TIREOIDIANA
Nem todos os pacientes precisam de tratamento imediato. Especialistas afirmam que a conduta depende do estágio da doença. Quando o hipotireoidismo já está presente, o tratamento é feito com reposição hormonal. “Utilizamos levotiroxina sódica, um medicamento seguro e de uso diário, que repõe o hormônio que a tireoide não consegue mais produzir”, explica Fernanda Vaisman.
Pacientes diagnosticados na fase inicial, quando apenas os anticorpos estão presentes e a função da glândula ainda é normal, podem apenas realizar acompanhamento periódico. Nesses casos, exames são repetidos regularmente para monitorar se haverá evolução para hipotireoidismo.
Embora não haja uma forma conhecida de prevenir a tireoidite de Hashimoto, o diagnóstico precoce e o controle adequado permitem que a doença seja gerida com segurança, minimizando os impactos na qualidade de vida dos pacientes.


