
Crianças e cuidadora acariciam um filhote, reforçando o vínculo ancestral entre humanos e cães (Foto: Instagram)
Se há algo especial na vida, é ter um cachorro para chamar de seu. Eles são ótimos companheiros e um verdadeiro exemplo de lealdade. Curiosamente, um novo estudo sugere que essa amizade com o melhor amigo do homem remonta a pelo menos 15,8 mil anos, mais de 5 mil anos antes do que os achados genéticos anteriores indicavam.
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Os pesquisadores afirmam que descobrir a origem dos cães é uma tarefa complexa. Por serem parentes próximos dos lobos, identificar a quem pertencem os ossos antigos não é simples. Contudo, ao sequenciar o genoma de restos arqueológicos comprovadamente de cães, os especialistas conseguiram obter mais informações sobre a origem dos antepassados dos nossos pets.
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A descoberta foi dividida em dois estudos: um conduzido por pesquisadores da Universidade Ludwig-Maximilians de Munique, na Alemanha, e outro por centros de pesquisa britânicos, alemães e suíços. Ambos foram publicados na revista Nature nesta quarta-feira (25/3).
Durante o primeiro estudo liderado pelos alemães, os especialistas analisaram restos arqueológicos na cidade de Pınarbaşı, na Turquia; na Gruta de Gough, no Reino Unido; e em dois locais na Sérvia. Nos primeiros locais, os fragmentos encontrados com DNA canino foram datados de cerca de 15,8 mil anos e 14,3 mil anos. Em comparação, o registro mais antigo anterior datava de 10,9 mil anos atrás.
O osso analisado na Turquia era um fragmento de crânio que parecia pertencer a uma cadela com poucos meses de vida. O outro, investigado no Reino Unido, ajudou a ilustrar como os primeiros cães chegaram à Europa. Ainda não se sabe exatamente qual era o papel deles entre os humanos, mas acredita-se que serviam para caça e proteção.
“Acho que podemos presumir que eles devem ter desempenhado um papel, porque [só] alimentá-los seria caro”, afirma Laurent Frantz, um dos autores do artigo, em entrevista ao portal Science Alert. Além disso, foi identificado um vínculo afetuoso entre humanos e cães na época, pois foram encontrados filhotes de cães enterrados sobre sepulturas humanas na Turquia.
No segundo estudo, liderado por centros de pesquisa internacionais, foram comparados genomas de 216 restos mortais de cães e lobos encontrados pela Europa e áreas próximas. O objetivo era mapear como foi a evolução dos cães no continente.
A análise teve que ser relacionada a um fenômeno cultural antigo. Cerca de 10 mil anos atrás, muitas pessoas do sudeste asiático migraram para a Europa. Segundo os resultados, alguns cães europeus antigos sofreram influência genética dos cães asiáticos que chegaram durante essa migração. O achado indica que os cães já eram domesticados há bastante tempo.
Apesar das descobertas, ainda há muitas perguntas a serem respondidas sobre a verdadeira origem dos cães, o período em que se separaram dos lobos e o início de sua domesticação. Novos estudos mais amplos sobre o tema deverão ser realizados.


