
Mensagens de SMS promovendo antecipação salarial enviadas pelo PicPay a servidores do DF (Foto: Instagram)
O PicPay, fintech do grupo J&F, obteve acesso não autorizado aos dados pessoais de servidores do Governo do Distrito Federal (GDF) para promover empréstimos consignados. A empresa é a única autorizada a oferecer "antecipação salarial" e descontar diretamente dos salários dos funcionários públicos.
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Com base em um acordo com a Secretaria de Economia do DF, que permitia empréstimos consignados, o banco digital fez descontos de R$ 81,7 milhões nos salários dos servidores do DF.
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O Metrópoles teve acesso a mensagens enviadas pelo PicPay aos servidores, promovendo o produto. "Seu saldo já está liberado! Antecipe parte do seu salário sem juros e receba o valor na hora", dizia um SMS. Outro afirmava: "Aproveite o valor máximo de antecipação! Receba agora parte do seu salário. Seguro e sem juros".
Servidores entrevistados relataram surpresa ao receberem essas mensagens, já que não haviam se cadastrado no PicPay, indicando que não forneceram seus dados.
Questionada pela reportagem, a Secretaria de Economia do DF afirmou que "não compartilha, em nenhuma circunstância, dados pessoais de servidores públicos com empresas privadas, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)".
Em fevereiro de 2026, o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) ordenou a suspensão de novos descontos diretamente nos salários dos servidores que utilizavam o serviço do PicPay. A decisão veio após uma inspeção da Corte de Contas identificar a cobrança de uma taxa, o que não é permitido pela legislação local para consignados.
O PicPay firmou, em setembro de 2024, um contrato com a Secretaria de Economia do DF, permitindo à empresa oferecer empréstimos consignados a servidores do GDF.
Para promover o produto, além de enviar mensagens aos servidores, o PicPay instalou um estande no Palácio do Buriti, sede do GDF.
A Secretaria de Economia do DF afirmou que autorizou o PicPay a realizar "ação de divulgação institucional de seus serviços" nas áreas designadas do prédio público, mas sem compartilhar quaisquer dados do governo.
O TCDF identificou um "crescimento acentuado e alto volume em nova modalidade de desconto" diretamente na folha de pagamento referente ao serviço do PicPay.
Em 2024, os consignados do PicPay somaram R$ 11,7 milhões. De janeiro a agosto do ano seguinte, esse valor chegou a R$ 70 milhões.
De acordo com a área técnica do tribunal, a legalidade do desconto em folha depende da ausência de juros. No caso do PicPay, foi identificada a cobrança de uma "taxa", considerada irregular pelo TCDF.
O TCDF também questiona a transferência da responsabilidade sobre os descontos para a BRB Serviços pela Secretaria de Economia.
O PicPay e o BRB não responderam aos questionamentos da reportagem.


