
Gotas que revelam o petricor: o aroma único do primeiro instante de chuva (Foto: Instagram)
Quem nunca notou um aroma peculiar no ar quando as primeiras gotas de chuva começam a cair? Muitas pessoas associam esse cheiro a uma sensação de frescor ou até mesmo nostalgia. Mas será que esse aroma realmente existe ou é apenas uma impressão causada pela memória ou imaginação? De acordo com especialistas consultados pelo Metrópoles, o fenômeno é real e possui uma explicação científica.
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O professor Luiz Roncaratti, do Instituto de Física da Universidade de Brasília (UnB), esclarece que esse cheiro é causado por moléculas liberadas do solo e da água ao entrarem em contato com a chuva. Ele afirma que a percepção desse aroma pode variar de pessoa para pessoa. Em muitos casos, o cheiro é considerado agradável porque pode evocar memórias ou a sensação de alívio após períodos de calor e seca.
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O cheiro característico da chuva tem até um nome na ciência: petricor. O termo foi criado em 1964 por cientistas australianos que estudavam a liberação de compostos aromáticos quando a água da chuva entra em contato com o solo. Luiz explica que quando as gotas de chuva atingem o chão, ocorre um processo físico que ajuda a espalhar as moléculas responsáveis pelo aroma.
Essas partículas microscópicas acabam sendo transportadas pela atmosfera e chegam facilmente ao nosso olfato, criando o cheiro característico percebido logo no início da chuva.
Diversas substâncias químicas podem participar desse processo. Uma das mais conhecidas é a geosmina, produzida por bactérias presentes no solo. O professor Micael Cecchini, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), explica que esse composto é um dos principais responsáveis pelo aroma de terra molhada.
Além dela, outros compostos também podem contribuir para o fenômeno. Entre eles estão substâncias liberadas pela vegetação e gases presentes na atmosfera.
Muitas pessoas percebem que o cheiro da chuva costuma ser mais intenso após longos períodos sem precipitação. Segundo os especialistas, essa percepção também tem uma explicação científica. Luiz acrescenta que vários fatores ambientais influenciam a intensidade do petricor.
De acordo com os pesquisadores, o fenômeno envolve processos físicos, químicos e biológicos complexos que ainda continuam sendo estudados pela ciência. “Provavelmente ainda vamos descobrir outros aspectos interessantes sobre esse fenômeno”, conclui o professor.


