Fabricio Marta, ex-produtor da TV Globo, que foi promovido a chefe dos produtores no início do ano, continua revelando os bastidores do jornalismo da emissora. Na madrugada desta terça-feira (31/3), ele criticou o Bom Dia Brasil e falou sobre matérias “engavetadas” que não vão ao ar.
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“Esse gaveteiro me lembra um telejornal da Globo que causa arrepio na espinha de produtores, editores e repórteres. Internamente, o descontentamento com o Bom Dia Brasil é geral, pois é o produto do jornalismo da Globo que mais transforma reportagens prontas em lixo”, afirmou, antes de completar:
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“Quando se grava uma matéria, há o risco de ela não ser exibida. A queda do Cristo Redentor vai derrubar a alta do chuchu, obviamente. Vale a relevância, o factual. Faz parte do jogo. A causa da indignação coletiva é a falta de empatia e de respeito com os entrevistados, que passam horas perdidas dos seus dias em prol do nada“, lamentou.
DESRESPEITO
Ainda na publicação, Fabricio Marta disparou: “Há também desrespeito com as equipes de reportagens, que poderiam estar investindo em produções que não seriam engavetadas. São quilos e quilos de reportagens de qualidade – aprovadas pela própria editora-chefe – se transformando em chorume”, afirmou.
No fim, o jornalista criticou: “Isso é dinheiro jogado fora também: uma auditoria universitária já traria dados chocantes. Nada é feito. Absolutamente nada: galera da ADA (Amigo dos Amigos). Nos bastidores, o jornal é chamado de Bo Dia Gaveta. Há repórteres com tantas matérias engavetadas, que estão na categoria Bom Dia Closet”, debochou.
DISPAROU CONTRA A EMISSORA
As redes sociais pegaram fogo, recentemente, após um ex-produtor detonar a TV Globo. Fabricio Marta, que chegou a ser promovido a chefe dos produtores no início do ano e sofreu dois infartos, tem soltado o verbo contra a emissora dos Marinho.
“Obrigado pelos ombros amigos nesse compartilhar selvagem, nos últimos dias. O publicável foi dito conscientemente. Antes de chegar à Globo, em 2006, eu já havia trabalhado no JB (onde tive a sorte de ser estagiário e contratado); em O Globo e em O Dia – onde aprendi o que era jornalismo. Todos os lugares têm defeitos”, começou.
E continuou: “Estou há meses tentando consertar um vazamento em casa. A diferença está no empenho, no desejo, na exposição pública honrar os que mais precisam – aqueles que fazem a roda girar. Sem milho, não tem pipoca. Sem jornalistas remunerados, não há redação de qualidade”, afirmou.
CHEFIA “MAIS HUMANA”
Ainda na publicação, o comunicador analisou: “A escuta é a gênese de um processo como esse, porque está tudo errado. Devo à Globo pouquíssimos inimigos (se bem que a lista aumentou agora!) e à construção de uma família unida e ouriçada: turma madrugadora do Entretenimento; amigos incansáveis das afiliadas!!!! E da própria redação da Globo RJ”, escreveu, antes de completar:
“Torço, de coração com seis stents, por uma governança mais humana e vanguardista – capaz de mover cada um de vocês desse brejo com água parada para o lugar que, de fato, mereçam ocupar”, declarou.
“LADEIRA ABAIXO”
Em outra postagem, Fabricio Marta detonou: “É tanta ladeira abaixo na Globo que, vez ou outra, sou visitado por pesadelos que, felizmente, já não me pertencem. Além de não incentivar, a Globo não custeia mais a participação de jovens produtores no Congresso de Jornalismo Investigativo da Abraji”, observou.
E prosseguiu: “A cada edição vindoura, rosários e mais rosários eram desfiados diante na minha ex-mesa: o chefe de redação que não podia nada pelos 23 produtores. Não conseguíamos passagens de ônibus; área (hahhahhaha); hospedagem também não. Os que conseguissem se bancar no estilo largados e pelados, ganhavam um vale-podrão e um Uber, acho” lembrou.
No fim, ele opinou: “Estamos falando do terceiro conglomerado de comunicação do planeta. Cafonice define”, encerrou.


