
Lula sacramenta Alckmin como vice para a reeleição (Foto: Instagram)
Nesta terça-feira, Lula pôs fim a um mistério que talvez nunca devesse ter existido: seu vice será Geraldo Alckmin, que também concorre à reeleição. Sempre achei infundadas as especulações sobre outros nomes. Quando José Dirceu, da velha-guarda do petismo, alertou que uma mudança poderia custar um mandato, ficou claro que alguns petistas ainda faziam análises sensatas.
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O ex-governador de São Paulo, agora no PSB, foi crucial na vitória apertada de 2022. Não que Lula precisasse de uma imagem moderada — ou alguém realmente via nele um líder de extrema esquerda? Mas uma coisa é o que se é, outra é o que a campanha adversária diz. Após o governo Bolsonaro, uma união democrática que incluísse figuras não ligadas à esquerda era bem-vinda. Este movimento também atraiu Simone Tebet, que se filia ao PSB para disputar o Senado por São Paulo.
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Houve, sim, flertes com outros partidos, em um cenário político fragmentado que não se previa em 2023, especialmente após a revelação dos bastidores da tentativa fascista. O bolsonarismo, entretanto, manteve força para absorver parte significativa da antiga direita e do centrão, espalhados por várias legendas, mesmo após tudo. Nunca cometi o erro de subestimar o poder eleitoral da família Bolsonaro. Sempre me pareceu improvável que Lula conseguisse atrair um partido de médio porte e conservador para uma aliança total.
Alguns chegaram a sonhar com uma chapa pura, com Fernando Haddad, por exemplo — que aparece bem nas pesquisas para o governo de São Paulo —, como vice. Isso seria um passo para uma sucessão interna no PT, pós-Lula. Mas logo se acenderam alertas: uma transição assim, em uma estrutura complexa como o partido, não se resolve facilmente, apenas articulando uma chapa presidencial.
Então, o óbvio finalmente se confirmou: não havia motivo para que o vice não fosse Alckmin, especialmente porque ele demonstrou exemplar lealdade ao presidente.
Nunca vi textos envolvendo Alckmin com a fórmula desgastada de "Fulano conversou com interlocutores e disse…". "Spoiler": o "interlocutor" é sempre o próprio autor, e a informação é dada pela própria fonte. Alckmin nunca se envolveu em tais intrigas. Ele suportou todas as especulações, afirmando ser parte do time. Foi um excelente ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e conseguiu implementar a NIB, a Nova Indústria Brasil. Ele é fundamental nas negociações tarifárias com os EUA, em parceria com o Itamaraty. Alguém já o viu opinar sobre outras pastas? Ser vice-presidente e ministro em tempos como estes, mantendo-se imune a fofocas e intrigas, é para poucos.
Lula, enfim, encontra o vice dos sonhos de qualquer candidato. E, de fato, é Alckmin!


