
Avião comercial se aproxima para pouso no aeroporto (Foto: Instagram)
O recente aumento de 54,8% no preço do querosene de aviação (QAV) deve impactar o custo das passagens aéreas. Em fevereiro, os bilhetes já haviam registrado uma inflação de 11,40%. Como o combustível é um componente crucial nos custos operacionais, o aumento deve se refletir nos preços oferecidos pelas companhias aos consumidores.
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Na última quarta-feira (1º/4), a Petrobras ajustou os preços do QAV. Dependendo da região e do tipo de venda, o aumento pode chegar a até 56%, conforme a tabela publicada no site da estatal. Em comunicado, a empresa informou que o reajuste foi de 54,8%.
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A alta nos preços do querosene de aviação está ligada ao aumento no preço do petróleo, impulsionado pela guerra no Oriente Médio. Na semana anterior ao início do conflito, em 28 de fevereiro, o barril de petróleo tipo brent oscilava em torno de US$ 70. Na tarde da última quarta-feira, o preço já era de US$ 100,90.
Com o reajuste, o preço do metro cúbico (m³) do QAV em Belém subiu de R$ 3.546,90 — valor praticado desde 1º de março deste ano — para R$ 5.495,30, um aumento de 54,93%. Esses valores referem-se à modalidade de venda ETM.
Desde 2021, os preços do QAV têm variado significativamente. Em Belém, por exemplo, em 1º de dezembro de 2021, o item custava R$ 3.561,30. Houve um aumento acentuado em 2022, seguido por uma queda de 2022 para 2023. De 2024 para 2025, o aumento foi mais leve, de 1,05%. Os valores não incluem impostos.
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) divulgou uma nota sobre o aumento no preço do QAV, afirmando que, considerando os reajustes desde março deste ano, o item passa a representar 45% dos custos operacionais das companhias aéreas, antes em torno de 30%.
André Braz, coordenador dos Índices de Preços do FGV Ibre, explica que o impacto do reajuste do QAV na operação das companhias ocorre por três canais principais: custo direto, exposição cambial e eficiência operacional limitada no curto prazo. Segundo ele, o repasse para o consumidor é parcial e ocorre com defasagem, mas a médio prazo pressiona o preço das passagens.
Carlos Honorato, professor da FIA Business School, critica a baixa capacidade nacional de lidar com crises como a desencadeada pela guerra no Oriente Médio, destacando o elevado custo de tributação e a complexidade do processo de gestão de uma companhia aérea nesse contexto.
Na segunda-feira à tarde, a Petrobras anunciou que o reajuste no QAV poderá ser reduzido para 18% em abril, mas essa diferença deverá ser paga pelos clientes em até seis parcelas.
O Metrópoles procurou as companhias Gol, Latam e Azul para saber se o reajuste seria repassado ao preço das passagens. As empresas optaram por não se pronunciar individualmente.
Os preços das passagens aéreas já vêm de uma sequência de aumentos desde 2021, com reajustes entre 17,59% e 47,24%, muito acima da inflação oficial do período. Em 2024, houve uma redução significativa de 22,20%.
Os valores voltaram a acelerar no ano seguinte, terminando 2025 com um aumento de 7,85%. O ano de 2026 começou com uma redução de 8,90% em janeiro, mas em fevereiro o preço voltou a subir, neste caso 11,40%.
O Ministério de Portos e Aeroportos enviou uma proposta ao Ministério da Fazenda para cortar impostos e assim reduzir os impactos do aumento do preço internacional do petróleo sobre o setor aéreo. A proposta inclui a redução temporária de tributos sobre o querosene de aviação, redução do IOF sobre operações financeiras das empresas aéreas e do Imposto de Renda sobre operações de leasing de aeronaves.


