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BRB Adquire R$ 1,5 Bilhão em Fundos da Reag Após Escândalo Carbono Oculto

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Brasília: sedes do BRB e do extinto Banco Master (Foto: Instagram)

O Banco de Brasília (BRB) investiu R$ 1,5 bilhão em ativos que pertenciam ao Master e estavam aplicados em fundos geridos pela Reag. As transações ocorreram após a instituição ter sido alvo da Operação Carbono Oculto da Polícia Federal, que investigava o uso de fundos da Reag pelo PCC para lavagem de dinheiro.

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Grande parte dos ativos adquiridos pelo BRB, na verdade, foram aceitos em troca de carteiras fraudulentas do Credcesta. Esses ativos possuem características de "fundo sobre fundo", identificadas pela PF como parte da fraude investigada na Carbono Oculto, que resultou na liquidação da Reag e do Master em novembro de 2025.

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Documentos exclusivos obtidos pelo Metrópoles, através da Lei de Acesso à Informação (LAI), revelam que as aquisições foram aprovadas pelas instâncias decisórias do BRB e pagas antes dos pareceres de risco que indicavam semelhanças com a investigação da Carbono Oculto.

Quatro operações foram rapidamente realizadas e concluídas em 30 de setembro de 2025, a tempo de serem incluídas nos balanços do terceiro trimestre do BRB e do Master. O BRB se desfez de carteiras problemáticas do Credcesta e as trocou por ativos aparentemente saudáveis.

Um parecer datado de 24 de setembro, assinado pela Diretoria de Finanças e Controladoria (Dific) e pela Superintendência de Operações Financeiras (Suope) do BRB, indicava que a situação exigia uma postura mais diligente por parte do banco. Apesar do "risco elevado e prazo exíguo" para avaliar os ativos oferecidos pelo Master, a operação foi aprovada.

SOCIEDADE DO BRB COM ROBERTO JUSTUS EXPLICADA
Em uma das transações, o BRB adquiriu, por R$ 350 milhões, 100% das cotas do fundo FIP SH, que detinha 30% das ações da Stellcorp, uma empresa de casas modulares. Isso explica como o BRB se tornou sócio de Roberto Justus, que soube disso em janeiro de 2026, conforme ele mesmo declarou.

Para agilizar o negócio, foi acordado um desconto de 33,25% no valor das ações, com uma cláusula que favorecia o Master: se o BRB vendesse as ações por um valor maior no futuro, os lucros seriam divididos. No entanto, o risco de desvalorização ficava com o BRB.

O parecer conjunto de cinco superintendências do BRB fez várias observações. Entre os alertas, estava o fato de que o fundo era administrado pela Reag, deixando o BRB vulnerável aos interesses de uma entidade sob investigação na Carbono Oculto.

O documento técnico do BRB também alertou que o Master estava envolvido em "múltiplas investigações e com risco elevado de solvência". Além disso, o fundo investia em um único ativo, de baixa liquidez e rentabilidade incerta.

As superintendências do BRB destacaram que o fundo era exclusivo com um único cotista: "Uma situação indesejável para fins de PLD/FTP (Prevenção à Lavagem de Dinheiro e Combate ao Financiamento do Terrorismo)", pois ocultava o beneficiário final do fundo, que passaria a ser o BRB. Tanto é que o próprio "dono" da Stellcorp, Roberto Justus, desconhecia quem era seu sócio.

FUNDO INFLADO ARTIFICIALMENTE
Também em 30 de setembro de 2025, o Master pagou R$ 300 milhões pela compra de 83% das cotas do fundo FIP Trevi, que detinha 30% do patrimônio do FIP Novo Bairro. A aquisição ocorreu sem que o BRB soubesse onde o dinheiro era aplicado, já que o documento mais recente do FIP Novo Bairro, também administrado pela Reag, havia sido enviado à Comissão de Valores Mobiliários um ano antes, citando uma carteira de R$ 300 milhões.

Reportagem do Estadão revelou que o FIP Novo Bairro investia na Novo Bairro S/A, uma empresa criada para construir um condomínio em São Paulo com financiamentos do Master. Em agosto, pouco antes do negócio, a Reag inflacionou artificialmente a avaliação do patrimônio líquido da Novo Bairro S/A, de R$ 400 mil para R$ 1,7 bilhão.

Assim, se o negócio tivesse ocorrido em agosto, o BRB teria recebido 25% de um fundo que valia R$ 400 mil, ou seja, R$ 100 mil. Em 30 de setembro, com o valor do empreendimento artificialmente corrigido, os mesmos ativos passaram a valer R$ 423 milhões, sendo adquiridos com "desconto" por R$ 300 milhões.

FUNDO SOBRE FUNDO SOBRE FUNDO…
Outros R$ 315 milhões foram destinados à compra de 70% das cotas do Fundo de Investimento Imobiliário (FII) Brazil Realty, gerido pela Reag. Um dos relatórios técnicos alertava que o fundo tinha uma estrutura "altamente concentrada e composta por ativos com baixa visibilidade pública".

Tratava-se de uma complexa cadeia de fundos sobre fundos, que culminava em diversos projetos imobiliários na região de Belo Horizonte (MG), área de influência da família Vorcaro.

Na prática, o Master oferecia um terreno onde a família Vorcaro planejava lançar, este ano, um projeto do Minha Casa Minha Vida, chamado Mountain View; o projeto de um hospital em Nova Lima, um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) da própria Reag; e 100% de um terreno urbano de 76 mil m² em Contagem, avaliado em R$ 300 milhões.

Destaca-se o laudo de precificação desse terreno, que calculou cada metro quadrado a R$ 3,9 mil com base em uma pesquisa que usou como exemplo outro imóvel na mesma cidade, com o metro quadrado cotado a R$ 984 – quatro vezes menos.

Isso apesar de o terreno que agora pertence ao BRB ser menos atrativo: tem uma das laterais em curva, faz divisa com a linha do trem e só uma pequena frente para a avenida.

A quarta operação envolvendo a Reag foi a compra, por R$ 350 milhões, das ações do fundo Strelitzia FIP, dono de 39% do Grupo Alife Nino, que por sua vez possui diversos bares e restaurantes, como o Nino, o Tatu Bola e o Boa Praça.

Este é o único caso de fundo da Reag com lastro adquirido pelo BRB, já que o grupo é considerado um dos 10 maiores do setor de food service no Brasil, com mais de 100 unidades próprias. Ainda assim, o Master supervalorizou o ativo na negociação com o BRB, que pagou R$ 350 milhões por 39% do Alife Nino. Em 2024, a XP avaliava sua participação de 20% no negócio em R$ 160 milhões.

NO APAGAR DAS LUZES, MAIS UM NEGÓCIO
Em 4 de novembro de 2025, a Diretoria Colegiada e o Comitê de Negócios do BRB aprovaram mais uma compra de fundos, desta vez por R$ 481 milhões, em operação "motivada pela deterioração da condição financeira do Banco Master, que enfrenta risco elevado de inadimplência" e a necessidade de trocar créditos problemáticos por outros ativos.

Neste pacote, o BRB pagou R$ 25 milhões pelas cotas do FII Brazil Realty que ainda estavam com o Master, R$ 108 milhões em ações da FIP Yvac, ainda administrada pela Reag, e outros R$ 176 milhões em ações do FIP Matarazzo, administrado pela Trustee, também envolvida na Carbono Oculto.

Na época, o Metrópoles já havia noticiado – e a área técnica do BRB incluiu em seu relatório – que a Reag pediria o cancelamento de seu registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Mesmo assim, o negócio foi aprovado pelo Master, que na prática acabou comprando, no Yvrac e no FIP Saúde Crédito, um pacote de ações da Aliança Saúde (AALR3) que se desvalorizaram fortemente desde então. Cotadas a R$ 6,77 no dia da transação, hoje valem menos de R$ 4 cada uma.

Já a FIP Matarazzo investia 95% de seu patrimônio em uma empresa de capital fechado chamada BM Varejo S.A, fundada em 2023, com endereço errado (segundo a área técnica do BRB) e ainda sem operação. Na prática, o BRB não tinha a menor ideia do que estava comprando.

Mas comprou mesmo assim.

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