
Excesso de cafeína pode prejudicar a saúde óssea (Foto: Instagram)
Você sabia que o consumo excessivo de cafeína pode contribuir para a perda de cálcio? Pesquisas científicas já indicaram que essa substância pode afetar negativamente o metabolismo desse mineral, essencial para a formação e manutenção da saúde dos ossos.
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De acordo com Vanêssa Melo, nutricionista do Hospital Santa Lúcia (HSL), estudos sugerem que a cafeína pode diminuir a absorção do cálcio e aumentar sua eliminação pela urina, o que, ao longo do tempo, pode comprometer a densidade mineral dos ossos.
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“Um artigo publicado no British Journal of Pharmacology, por exemplo, aponta que o consumo de cerca de 800 mg de cafeína [o equivalente a aproximadamente 6 a 8 xícaras de café coado], pode quase dobrar a quantidade de cálcio eliminada na urina, com um aumento de cerca de 77%”, explica Vanêssa ao Metrópoles.
A nutricionista também menciona que essa perda frequente, combinada com uma ingestão inadequada de cálcio, pode aumentar o risco de osteoporose.
QUAL QUANTIDADE DIÁRIA O RISCO SE TORNA RELEVANTE?
Segundo a doutoranda do Programa de Pós-graduação em Nutrição Humana da UnB, doses a partir de 300 mg por dia já podem apresentar riscos mensuráveis.
“A cafeína tem um efeito diurético que estimula a eliminação do mineral pela urina. Se a pessoa consome muitas fontes de cafeína e não compensa com uma dieta rica em cálcio, o corpo passa a retirar o mineral dos ossos para manter os níveis sanguíneos estáveis, fragilizando a estrutura óssea ao longo do tempo”, esclarece a especialista. A média de 200 mg (cerca de duas xícaras de café coado) é considerada segura para a maioria dos adultos.
CONSUMO DE CAFEÍNA ENTRE DIFERENTES PESSOAS
Vanêssa Melo relata que nem todos processam a cafeína da mesma forma. Alguns grupos têm uma maior vulnerabilidade biológica:
- Mulheres na pós-menopausa: a queda do estrogênio leva a uma redução natural da densidade óssea. O consumo elevado de cafeína nesse estágio pode acelerar a perda de massa óssea em regiões críticas, como a coluna e o fêmur.
- Adolescentes e jovens adultos: é a fase de “pico de massa óssea”, ou seja, quando o corpo mais constrói reserva de cálcio. A cafeína interfere nessa acreção. Além disso, há um fator comportamental perigoso: o alto consumo de bebidas energéticas e refrigerantes ricos em cafeína.
- Idosos: com o envelhecimento, o organismo perde a eficiência em compensar perdas minerais. Se a pessoa idosa tiver uma dieta pobre em cálcio ou baixa exposição solar (falta de vitamina D), o impacto da cafeína é potencializado, aumentando o risco de fraturas.
DICAS DE CONSUMO DE CAFEÍNA
Abaixo, confira alguns cuidados simples que ajudam a evitar prejuízos à saúde ao consumir cafeína, segundo a nutricionista Vanêssa Melo:
- Evite alimentos ricos em cafeína logo após as refeições: o ideal é esperar entre 1 e 2 horas antes de consumir a bebida.
- Fique atento a outras fontes de cafeína: refrigerantes à base de cola, chás (como o verde e o preto), bebidas energéticas e até alguns remédios também possuem a substância.
“Para a maioria dos adultos saudáveis, o consumo moderado de cafeína é seguro, mas o excesso pode causar sintomas além da perda de cálcio como ansiedade, insônia, irritação e até palpitações”, conclui a nutricionista.


