
Alta de mortes de pedestres acende alerta no trânsito paulista (Foto: Instagram)
A tendência de queda nas mortes no trânsito no estado de São Paulo não se refletiu na capital. Dados do Sistema de Informações Gerenciais de Sinistros de Trânsito (Infosiga), divulgados pelo Detran nesta quinta-feira (16/4), revelam que, ao comparar março de 2025 com março de 2026, as mortes diminuíram 4,6% no estado, mas subiram 21,8% na cidade.
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De acordo com a plataforma, houve 503 mortes no trânsito em março deste ano em todo o estado. No mesmo mês de 2025, foram registradas 527 mortes.
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Já na capital, foram 78 óbitos em março de 2025, comparados a 95 mortes em março de 2026. Os pedestres são as principais vítimas: essa categoria foi a única que viu aumento nos óbitos tanto no estado — subindo de 114 para 127 mortes, um aumento de 11,4% — quanto na capital, de 29 em março de 2025 para 42 em março de 2026, um aumento de 44,8%.
O número de vítimas em carros, por outro lado, caiu nas duas análises. Houve uma redução de 107 óbitos para 95 no estado e de 6 para apenas 4 na capital de São Paulo. Os dados referem-se aos meses de março, no ano passado e no atual.
Entre motociclistas, as mortes subiram na capital — de 36 para 40 — e caíram no estado — de 242 para 226. A categoria com a menor variação foi a de ciclistas. Na capital, houve o mesmo número de mortes (5) em março de 2025 e março de 2026. No estado, houve um caso a menos entre os períodos: 35 em março passado e 36 em março deste ano.
No acumulado do ano, as tendências são semelhantes, com queda em todos os números no estado — exceto o de mortes de pedestres — e aumento em todos os relativos à capital paulista — exceto o de vítimas em carros.
RAIO-X DE ATROPELAMENTOS
Mais de 400 pedestres perderam a vida no trânsito das ruas de São Paulo no ano passado, segundo dados do Infosiga, do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). A análise dos números relacionados aos atropelamentos revela horários, dias e locais com maior incidência desse tipo de acidente.
De acordo com o Detran, foram 3.606 atropelamentos em 2025, com 3.956 pedestres atingidos. Os 406 casos resultaram em 409 mortes. Entre os atropelados, 354 tiveram ferimentos graves e 3.290, leves.
A maior parte da frota é composta por automóveis, refletindo também na participação desse tipo de veículo na quantidade de atropelamentos, com envolvimento em 1.484 casos, superando motos (1.163), ônibus (479), bicicletas (112) e caminhões (79).
A sexta-feira foi o dia com mais atropelamentos de pedestres na capital, com 597 casos. Em média, 11 pessoas foram atropeladas a cada sexta-feira no ano passado.
O início da noite é o horário com maior incidência desse tipo de sinistro. O retorno para casa da maioria da população, das 18h às 19h59, concentrou quase 15% dos acidentes dessa natureza na capital paulista.
A Avenida Senador Teotônio Vilela, que conecta a região de Interlagos a Parelheiros, na zona sul de São Paulo, é historicamente um dos locais com mais atropelamentos na capital. No ano passado, liderou o ranking desse tipo de acidente na cidade.
Atravessar a Teotônio Vilela é arriscado. Veículos, especialmente motos, desrespeitam o sinal vermelho, tornando perigoso até mesmo atravessar na faixa de pedestre.
A pedagoga Luciana Veiga, 51 anos, quase entrou para as estatísticas. “Já quase fui atropelada aqui”, relata, mencionando um incidente com moto.
“O farol de pedestre demora muito. As pessoas acabam se arriscando entre carros, motos e ônibus”, comenta a professora Caroline Costa de Oliveira, 38 anos.
A insegurança para pedestres na Teotônio Vilela não é recente. Os problemas persistem há décadas e a enfermeira Eline Maria de Andrade, 41 anos, já presenciou acidentes e teve conhecidos afetados.
“A avó do meu marido faleceu em 1998, em uma faixa de pedestre. O motoqueiro passou, mesmo com o farol aberto para pedestres”, conta.
RECOMENDAÇÃO DESCUMPRIDA
A Prefeitura de São Paulo tem um manual que recomenda a instalação de uma faixa de pedestre a cada 100 metros, para incentivar a travessia segura. No entanto, não é raro encontrar locais na cidade onde essa orientação é ignorada pela própria administração.
Por exemplo, um trecho da Rua Vergueiro se tornou uma barreira dividindo os dois lados da Vila Mariana, na zona sul.
Entre a Rua Diderot e a Avenida Prefeito Fabio Prado, há apenas uma faixa de pedestres ao longo de 820 metros.
Com mudanças no perfil de ocupação do bairro, a rua passou a ter fachadas ativas, academias, salões de beleza, agências bancárias, entre outros, em ambos os lados. Para atravessar em segurança, é preciso caminhar bastante ou arriscar ser atropelado.
O QUE DIZ A PREFEITURA
A Prefeitura de São Paulo, através da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), afirma que tem adotado medidas para aumentar a segurança no trânsito urbano, como Áreas Calmas, com limite de 30 km/h, Rotas Escolares Seguras, redução de velocidade em vias, ampliação do tempo de travessia, implantação de mais de 10 mil faixas de pedestres, travessias elevadas, minirrotatórias e o Programa Operacional de Segurança em locais com maior índice de acidentes.
Segundo a prefeitura, o Plano de Metas Municipal também prevê tempo integral nas passagens de pedestres semaforizadas em vias com canteiro central, reduzindo o tempo de espera, e as Frentes Seguras (boxes de motos na espera do semáforo veicular), que aumentam a segurança e a visibilidade entre pedestres e veículos.
A prefeitura informa que agentes da CET fiscalizam diariamente toda a extensão da Teotônio Vilela. “Desde dezembro de 2024, a avenida recebeu duas novas travessias semaforizadas: uma na Rua São Roque do Paraguaçu, na altura do nº 4.954, e outra sob a passarela no cruzamento com a Av. Dona Belmira Marin, ampliando a segurança dos pedestres”, afirma.
Sobre as motocicletas, as infrações mais comuns na Teotônio Vilela são desrespeito ao semáforo vermelho e circulação sobre passeio/calçada. “Em 2026, até 12 de março, foram registradas 221 autuações a motos, considerando apenas fiscalizações manuais feitas pela CET”, diz.
Na Rua Vergueiro, entre a Rua Diderot e a Av. Pref. Fábio Prado, será instalado um semáforo e uma nova faixa de pedestres junto à Rua Paulo Figueiredo, no trecho mencionado, segundo a prefeitura.
A prefeitura afirma que, para reduzir a quantidade e a gravidade das ocorrências, todos os motoristas de ônibus passam por treinamentos obrigatórios de direção defensiva e prevenção de acidentes.


