
BRB propõe mudanças drásticas para reverter veto à compra do Banco Master (Foto: Instagram)
Horas antes do Banco Central negar a aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), o banco público realizou uma tentativa final para preservar o negócio. Documentos obtidos pelo Metrópoles revelam que a diretoria do BRB propôs alterações significativas na operação, incluindo a remoção de Daniel Vorcaro do quadro societário.
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Na última quinta-feira (16/4), em um desdobramento da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal efetuou apreensões e prisões relacionadas ao caso, incluindo a do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
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O ofício sobre a compra do Master pelo BRB foi enviado ao BC em 3 de setembro de 2025, às 11h22. No mesmo dia, às 19h20, ambos os bancos foram informados de que a Diretoria Colegiada do BC havia decidido, por unanimidade, vetar a operação.
Na tentativa final, o então diretor de Finanças do BRB, Dario Oswaldo Garcia Junior, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmaram que o banco estava "totalmente disposto" a ajustar a estrutura do negócio. Eles também solicitaram reuniões para discutir alternativas que pudessem solucionar os problemas apontados pelo BC.
Uma das sugestões foi substituir as empresas envolvidas na compra. O BRB propôs retirar o Banco Master S.A. (a holding principal) e incluir o Banco Master de Investimento S.A. (Master BI). O Banco Master Múltiplo, a Will Holding, a Will Financeira e a Maximainvest Securitizadora permaneceriam no negócio.
Segundo o BRB, essa mudança não alteraria o que seria adquirido. No entanto, na prática, o plano modificava a estrutura da operação. No formato original, o Master BI serviria para concentrar os ativos problemáticos ou que não interessavam ao BRB. Documentos indicam que o Master BI receberia cerca de R$ 51 bilhões em ativos e, posteriormente, passaria por um plano para sair do mercado.
O BRB afirmou que a alternativa seria uma forma de "mitigar riscos jurídicos e operacionais relacionados à sucessão empresarial". O Banco Central vinha alertando que o Master BI teria um patrimônio líquido muito baixo para sustentar dívidas bilionárias e que o BRB poderia acabar sendo responsabilizado pelas dívidas.
Para tentar destravar o negócio, o BRB também sugeriu a saída dos controladores do Master da nova estrutura. Isso incluiria Daniel Vorcaro, Armando Miguel Gallo Neto e Felipe Wallace Simonsen. “Outro ponto que merece destaque refere-se à possibilidade de ingresso de novo acionista, observado o crivo regulatório desse Banco Central, o que pode implicar a saída integral dos atuais controladores do quadro societário do Banco Master na nova estrutura, garantindo que a composição acionária esteja em plena sintonia com os parâmetros estabelecidos por essa autarquia”, diz o documento.
Nada disso avançou. O diretor de Organização do Sistema Financeiro do BC, Renato Dias de Brito Gomes, decidiu que a proposta alterava demais o pedido original e não poderia ser apreciada de última hora.
No mesmo dia, horas depois, Gomes levou à Diretoria Colegiada o voto pela rejeição da compra do Master pelo BRB. A decisão foi aprovada por unanimidade.
Dois meses após a decisão, Dario Garcia Junior e Paulo Henrique Costa foram afastados do BRB. Conforme dito acima, nessa quinta (16/4), Costa também foi preso. Ele é investigado pela PF por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e por suspeita de receber valores milionários para favorecer o banco de Vorcaro.
Paulo Henrique Costa acompanhou de perto as negociações com o Master. Segundo o Banco Central, a relação entre os dois bancos se intensificou em 2024, quando o Master já mostrava sinais de dificuldade e buscava uma solução para a crise. Na época, ofereceu carteiras de crédito ao BRB.
Em 3 de janeiro de 2025, Daniel Vorcaro enviou uma carta ao BRB para propor a “possibilidade de negócios conjuntos, com vistas a identificar potenciais sinergias entre as duas instituições, para fins de expandir negócios de forma orgânica, sustentável e dinâmica”.
Dois dias depois, Costa criou um grupo de trabalho para avaliar a compra. O projeto foi batizado de Vértice. Diretores e superintendentes do BRB participaram das discussões e aprovaram o contrato de compra e venda assinado em 28 de março.
Ao Banco Central, Costa apresentou o negócio como um “reposicionamento estratégico”. Ele disse que a operação ampliaria a atuação do BRB em áreas como crédito, seguros e investimentos. Costa dava destaque especial à entrada do Will Bank no conglomerado, sinalizando que a instituição ampliaria a presença do banco público no ambiente digital e em mercados de baixa renda. A meta era unir as bases do Will e do BRB Fla.
A 3ª FASE DA OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO
- Deflagrada pela PF na manhã de quinta-feira (16/4), cumpriu mandados em SP e no DF;
- A PF prendeu o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa por suspeita de aceitar propina para operar como “mandatário” de Vorcaro;
- Costa teria recebido mais de R$ 146 milhões em imóveis de luxo em compras feitas pelo dono do Master;
- Além dele, o ex-advogado do Master no processo da compra pelo banco do DF, Daniel Monteiro, também foi preso;
- Segundo as investigações, Monteiro agia como “laranja” do Master e da Reag para comprar ações do BRB e ingressar na estrutura de decisões do banco estatal;
- A operação foi autorizada pelo ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
- Segundo o advogado Cleber Lopes, que representa o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique “não cometeu crime algum” e a prisão é “desnecessária”.


