
Reinaldo mostra ‘Casablanca, ou o Renascimento dos Deuses’ em sua biblioteca (Foto: Instagram)
A dialética no Brasil está atingindo níveis preocupantes. Quando isso ocorre, é comum recorrer ao Supremo Tribunal Federal — todos criticam a Corte, mas recorrem a ela quando necessário. Lembra o "Café do Ricky" do filme "Casablanca". No STF, ainda falta definir quem seria o Humphrey Bogart, o Ricky. Meu candidato não é Edson Fachin. Vou mostrar que Alexandre de Moraes não foi responsável por rejeitar Jorge Messias, e que essa é uma ideia fixa de algumas pessoas, que talvez precisem de terapia. Mas antes, vamos nos divertir um pouco. Afinal, textos também devem proporcionar prazer, não só abordar temas sombrios e melancólicos.
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"Casablanca"? Quem no STF diria a famosa frase "Sempre teremos Paris?" Alguém poderia sugerir: "Gilmar. Um 'Gilmarpalooza' na Cidade-Luz". Se já não aconteceu, está em dívida. Ah, e nunca repitam que Bogart, ou melhor, Rick, disse ao pianista "Toque outra vez, Sam…" Isso é um erro. Quando Ilse, a incomparável Ingrid Bergman, entra no café de Rick em Casablanca e pede que o músico toque "As time goes by", ela diz: "Play it once, Sam. For old times sake." Traduzindo: "Pô, toque só um pouquinho, Sam, em nome dos velhos tempos". Depois de uma hesitação, Rick diz: "Play it, Sam. Play ‘As Time Goes By’" E ele toca novamente após a saída dela: "Se ela aguenta, eu também posso aguentar".
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Quem não leu "Viagem na Irrealidade Cotidiana", de Umberto Eco, lançado no Brasil em 1984 pela Nova Fronteira, pode ser menos feliz do que quem leu. Eu tinha 22 anos e, como um poeta escreveu, ninguém estava morto. Nesse livro está o texto "Casablanca, ou o Renascimento dos Deuses". Uma obra genial.
"Caramba, Reinaldo! Você começou falando de STF e Moraes e mudou para 'Casablanca' e Eco?" Sim… Sempre que a burrice pura me atinge, busco refúgio em alguma manifestação de inteligência superior para proteção. Querem que eu volte ao assunto — desde que prometam ver o filme e ler o livro? Então volto.
Vamos lá. Leiam este longo período com entonação interrogativa: então Moraes teria se aliado a Davi Alcolumbre para derrubar Messias, e a consequência óbvia seria que, se Alcolumbre fosse reeleito presidente do Senado, ele processaria pedidos de impeachment caso um extremista de direita, como Flávio Bolsonaro, fosse eleito? É isso mesmo?
Nessa hipótese, Moraes ajudou a cavar sua própria cova, onde seus adversários sonham enterrá-lo? Mais ainda: teria ajudado a derrotar Messias para, caso Flávio vença, dar ao extremista de direita que quer destruí-lo uma vaga a mais no Supremo?
É urgente recorrer ao STF com uma ADPF (pois antecede a Constituição) contra a dialética. Precisa ser declarada inconstitucional para não confundir nossos analistas…
É sério isso? Mas por que Moraes agiria assim? Aqui está a resposta…
IDEIA FIXA: TODOS OS CAMINHOS LEVAM AO MASTER
De acordo com o fanatismo anti-Supremo e anti-Master, todos os caminhos levam ao Master. A explicação delirante: como nem Alcolumbre nem Moraes estariam interessados em uma investigação rigorosa contra o banco, fariam essa aliança com o próprio Flávio, que suspenderia temporariamente suas restrições ao ministro que prendeu seu pai para esse acordo…
É espantoso. A tese conspiratória, no entanto, está em andamento e seduz os que não leram "O Alienista", de Machado de Assis. Há um Simão Bacamarte na Imprensa que convenceu todos em Itaguaí que não há nada no Brasil além do Banco Master, em associação com o terrível Alexandre de Moraes… E quem não acreditar nisso está louco.
E esse tal Moraes é tão nefasto que trabalha para derrotar Jorge Messias, mesmo sendo a vítima potencial dessa derrota. Parece uma piada, eu sei.
"Verdade" incontestável: não há crime no Brasil que não esteja associado ao Master. Pesquisem: aquela grosseria que alguém fez contra você no supermercado tem a ver com Vorcaro. Certamente, você encontrará vínculos entre o estúpido que o afrontou e o ex-banqueiro. Ninguém no mundo está a mais de sete círculos de relações de você. Geralmente, bastam cinco.
Então o terrível Xandão organizou, com Flávio Dino, as precondições para seu impeachment?
Deveria haver um limite para o ridículo. Mas não há. Vamos a Machadão, no Capítulo IV de "Memórias Póstumas de Brás Cubas": "Deus te livre, leitor, de uma ideia fixa; antes um argueiro, antes uma trave no olho".
E há "sedizentes" progressistas fazendo coro ao reacionarismo mais abjeto. Antes fosse inocência…
Assistam ao filme "Casablanca", leiam Umberto Eco. Antes que seja tarde. Ah, sim: Hegel está espantado, ele me diz em mensagem espiritual. Não sabia que a dialética ainda seria a morada da burrice saliente.
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