
Artista Renato Rios em seu ateliê-laboratório, cercado por referências botânicas e experimentos criativos. (Foto: Instagram)
O artista Renato Rios apresenta uma produção que surge do encontro entre arte, natureza e experimentação. Ele é um dos nomes presentes na mostra Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, realizada no Teatro Nacional Claudio Santoro. Esta exposição, promovida pelo Metrópoles, acontece de maio a junho e reúne diversos artistas da cena atual da cidade, propondo um diálogo entre diferentes linguagens e trajetórias que ajudam a compor um panorama da produção contemporânea no Brasil.
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Em seu ateliê, que também funciona como um pequeno laboratório, Renato desenvolve tinturas e extratos botânicos que impactam diretamente seu processo criativo. “Meu trabalho está muito ligado à minha relação com a natureza, então me inspiro bastante nessas conexões que tenho com as plantas”, explica ele.
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A prática tem raízes familiares, segundo o artista. “É um trabalho que veio da minha bisavó, que era uma médica popular. Ela fazia as garrafadas, então eu também faço isso”, conta.
Entre cores e experimentos, Renato transforma essas referências em desenhos e, mais tarde, em pinturas a óleo. “Desenho nos meus cadernos… Esses perfumes, essas cores inspiram a imaginação. Depois, levo tudo para a pintura. A pintura é o produto final de todo esse ciclo de experimentos.”
A trajetória do artista também é marcada por uma conexão afetiva com Brasília. Sua primeira exposição ocorreu em 2008, no foyer do Teatro Cláudio Santoro, ainda no começo da carreira. Apesar da conquista, ele relembra os desafios enfrentados na época. “Era um espaço sucateado. Infelizmente, o aparelho público cultural no DF sofre um pouco com essa negligência”, afirma.
Naquela época, Renato decidiu deixar a capital em busca de novas oportunidades e mudou-se para São Paulo, onde encontrou um ambiente mais estruturado para o desenvolvimento artístico. “Eu estava procurando um lugar onde o trabalho do artista fosse mais reconhecido, valorizado…”, explica.
Agora, ao retornar para expor novamente na cidade, o artista carrega expectativas renovadas. “Fico muito feliz por estar fazendo a exposição neste espaço, que é muito precioso. E tô torcendo para que as coisas estejam um pouquinho melhores do que eram há 18 anos”, diz. Entre memórias, críticas e esperança, sua obra continua a traduzir, em cores e formas, um processo criativo profundamente enraizado na natureza e na experiência pessoal.
A iniciativa amplia a atuação do Metrópoles no fortalecimento da cena cultural e na defesa de uma arte acessível a todos, apostando na ideia de constelação como fio condutor curatorial — um conceito que propõe encontros, diálogos e múltiplos pontos de vista.
O projeto segue o sucesso da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupou o Teatro Nacional com mais de 200 obras de Sergio Camargo.
A exposição funciona como um manifesto da arte brasiliense, reunindo artistas de diferentes gerações, linguagens e pesquisas que ajudam a construir, diariamente, a identidade cultural do Quadradinho do DF. Com isso, ultrapassa sua herança modernista, apresentando Brasília como um organismo vivo, marcado por dinâmicas culturais, sociais e simbólicas em constante transformação.
SERVIÇO
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
De maio a julho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional
Diariamente, das 12h às 20h, com entrada gratuita


