
Mulher com dor abdominal após ingerir leite. (Foto: Instagram)
Muitas pessoas acreditam que a intolerância à lactose é uma condição genética desde a infância, mas ela também pode se manifestar ao longo da vida, mesmo em indivíduos que sempre consumiram leite sem problemas.
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A hipolactasia primária é um tipo de intolerância em que a produção da enzima lactase diminui com o tempo. “Isso é geneticamente determinado e bastante comum: grande parte da população experimentará alguma redução ao longo da vida”, explica a endocrinologista Ana Luiza de Rezende Lelot, do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo. A forma adquirida, por outro lado, manifesta-se de forma mais repentina, com sintomas que não existiam antes.
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A intolerância adquirida geralmente está associada a eventos que afetam o intestino. Segundo a gastroenterologista Karla Audit Sula, do Hospital Santa Paula, em São Paulo, o paciente percebe claramente a mudança. “Ele recorda que consumia leite normalmente e, a partir de certo ponto, começou a ter gases, inchaço abdominal, diarreia ou desconforto”, afirma.
Entre os principais fatores estão infecções intestinais, uso prolongado de antibióticos, doença celíaca e doenças inflamatórias intestinais, que podem danificar a mucosa do intestino delgado, onde a lactase é produzida. A intolerância à lactose pode ser temporária e desaparecer com a recuperação intestinal, ou se tornar permanente.
Apesar de serem frequentemente confundidas, intolerância à lactose e alergia à proteína do leite são condições distintas. A intolerância é um problema digestivo, enquanto a alergia envolve o sistema imunológico e pode causar reações mais graves.
“O diagnóstico correto é essencial, pois o tratamento é completamente diferente”, reforça Karla.
O diagnóstico pode ser confirmado por exames como o teste do hidrogênio no ar expirado, que é amplamente utilizado devido à sua precisão e praticidade. Muitas pessoas eliminam a lactose da dieta ao perceber os sintomas, mas essa nem sempre é a melhor opção.
De acordo com a gastroenterologista, o organismo não volta a produzir lactase, mas pode se adaptar parcialmente. “A microbiota intestinal pode melhorar a tolerância quando a lactose é consumida em pequenas quantidades e de forma gradual”, explica.
Na prática, a intolerância à lactose deve ser gerida de forma personalizada. Em vez de uma exclusão total, a recomendação atual é ajustar o consumo ao nível de tolerância individual.


