Os comediantes Victor Sarro e Rodrigo Capella, que comandam o programa Comédia SBT nas noites de sábado, têm um objetivo claro: tentar trazer de volta o humor “raiz” à televisão e ajudar o público brasileiro a aprender a rir de todas as situações. Em entrevista à coluna, os artistas discutiram a nova atração e os desafios de fazer comédia na TV aberta.
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Durante a gravação do Troféu Imprensa, ambos foram diretos: têm total liberdade para brincar sobre e com quem quiserem. “Somos livres. Gostamos de zoar todos. Para nós, toda piada tem um alvo, e ela só não é engraçada quando o alvo é você”, afirmou Sarro.
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Para Sarro, o público precisa aprender a rir de todas as situações: “Eu brinco com ele, você ri, mas quando é com você, é onde se ofende. O brasileiro precisa aprender que é preciso rir de tudo, e estamos tentando trazer essa raiz de volta. Se vai dar certo, não sabemos”, completou.
Capella acrescentou que a ideia não é diminuir ninguém. “Nossa ideia não é zoar para humilhar as pessoas, mas sim convidá-las a brincar conosco. A intenção é que todos se sintam bem, mesmo sendo o alvo da piada”, explicou.
Questionados sobre o “limite do humor”, os comediantes afirmaram que tudo depende do contexto e do alvo da piada. “Se estamos em um programa de humor, com dois comediantes, então é comédia”, apontou Victor Sarro. “Se estou brincando com você e você está rindo, não me importo com a opinião dos outros”, disse.
Os artistas, contudo, sabem que um programa na TV aberta requer cuidados. “Temos a noção de que, no nosso show de stand up, as pessoas estão lá para rir, e na televisão atingimos muito mais pessoas, então temos esse cuidado”, explicou Sarro. “Com o programa, estamos entrando na casa das pessoas, enquanto no show as pessoas vão procurar isso”, concordou Capella.
Parceiros há mais de 20 anos, Victor Sarro e Rodrigo Capella receberam carta branca de Daniela Beyruti, presidente do SBT, para implementar suas ideias no Comédia SBT, mesmo que sejam “ácidas”.
“Acho que as pessoas gostam de consumir o que elas são, e as pessoas são ácidas na vida”, comentou Sarro. “Até os militantes são ácidos. Pessoal de esquerda zoa o pessoal de direita, pessoal da direita zoa o pessoal de esquerda… Acho que a TV deixa tudo muito morno, né? Não podíamos falar ‘gordo’, tinha que falar ‘cheinho’… Mas não é isso que as pessoas falam no dia a dia”, concluiu.


