
Lula e Trump conversam em Washington antes de reunião oficial (Foto: Instagram)
O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump será realizado logo após o petista intensificar suas críticas ao republicano. Nas últimas semanas, Lula tem criticado a ação militar coordenada entre os Estados Unidos e Israel no Oriente Médio.
++ Sistema de IA revela como gente comum está criando renda passiva no automático
A viagem de Lula para Washington, que foi inicialmente planejada durante um período de "boa química" entre os dois líderes, foi adiada várias vezes e agora acontece em um momento em que o brasileiro voltou a criticar publicamente o presidente dos Estados Unidos.
++ Jovem mata o padrasto para defender a mãe e o inesperado acontece
Este momento é visto como inoportuno, aumentando o receio de "armadilhas" da Casa Branca contra chefes de Estado, como já ocorreu com o ucraniano Volodymyr Zelensky e o sul-africano Cyril Ramaphosa.
Por outro lado, o cenário pode ser menos ameaçador, já que o petista se encontrará com Trump longe dos olhos do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que estará em agenda na Itália nos próximos dias.
A visita de Lula a Donald Trump vem sendo articulada desde que os dois se encontraram pela primeira vez em setembro do ano passado, durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York. Em janeiro, os dois líderes voltaram a se falar por telefone, acertando a visita do petista ao presidente norte-americano, inicialmente prevista para março, mas adiada devido ao foco de Trump no conflito contra o Irã.
A guerra no Oriente Médio, no entanto, não impediu Trump de se reunir com outros líderes internacionais na Casa Branca. Desde o dia 28 de fevereiro, quando ocorreu a ação militar no Irã, Trump recebeu pelo menos quatro chefes de Estado em Washington.
Foi também o conflito no Oriente Médio que gerou novo atrito entre Lula e Trump. Além da postura oficial do Itamaraty, que condenou a ação militar dos EUA no Irã, Lula passou a mencionar Trump diretamente em algumas declarações.
Durante discursos na Europa, Lula afirmou que o mundo "não pode se curvar" a quem faz guerras e ironizou o desejo de Trump em ganhar um Nobel da Paz. "É importante que a gente dê logo um Prêmio Nobel para o presidente Trump, para não ter mais guerra. Aí, o mundo vai viver em paz tranquilamente", disse Lula.
O encontro de Lula com Trump está marcado para esta quinta-feira (7/5), e temas sensíveis para o Brasil devem ser discutidos, como a intenção dos EUA de classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas, as tarifas sobre produtos brasileiros e o conflito no Oriente Médio.
Para analistas, as críticas de Lula a Trump fazem parte de uma estratégia voltada para as eleições de outubro, na qual o petista busca a reeleição para um quarto mandato. Lula chegou a sugerir que uma possível intervenção de Trump nas eleições brasileiras poderia beneficiá-lo.
A avaliação é apoiada por pesquisas de opinião do último ano, quando Lula viu sua popularidade aumentar após as tarifas impostas ao Brasil e as sanções a autoridades brasileiras. Isso deu a Lula munição para adotar um discurso nacionalista e de defesa da soberania do país.
Ao mesmo tempo, o presidente criou um discurso contra a família Bolsonaro, focando no ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apontado como responsável pelas tarifas e sanções ao Brasil. Como revelou a coluna do Metrópoles, o PT de Lula planeja retratar Flávio Bolsonaro durante a campanha eleitoral como "corrupto" e "entreguista", em referência à proximidade da família Bolsonaro com Donald Trump.


