
Alunos e o professor Lucas Santos na Fábrica Escola de Chocolate Médio Rio das Contas, em Ipiaú (BA). (Foto: Instagram)
O chocolate é frequentemente listado entre os alimentos que requerem atenção especial para pessoas com diabetes tipo 1 ou 2, devido ao açúcar presente em muitas de suas versões, que pode elevar os níveis de glicose no sangue se consumido sem moderação.
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Para oferecer uma opção mais saudável, estudantes da Bahia desenvolveram o ChocoMed, um chocolate com ingredientes de menor impacto glicêmico e função específica. Em entrevista ao Metrópoles, o professor Lucas da Conceição Santos, pós-doutor em Educação Científica e orientador do projeto, mencionou que os estudantes Adígena Brandão, Elias Dantas e Lívia Bispo, do Centro Territorial de Educação Profissional Médio Rio das Contas, em Ipiaú, estão por trás da iniciativa.
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A pesquisa teve início na própria escola, que oferece cursos técnicos em Agroindústria e Biotecnologia, além de abrigar uma fábrica-escola de chocolates. A ideia surgiu ao unir conhecimentos acadêmicos com uma questão real de saúde pública.
A diabetes tipo 2 é uma enfermidade crônica caracterizada pela produção inadequada ou má absorção de insulina, hormônio que ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue.
A formulação do ChocoMed utiliza chocolate com cerca de 70% de cacau, combinado com ingredientes naturais de propriedades bioativas, como melão-de-São-Caetano e sementes de abóbora. O objetivo é criar um alimento saboroso e nutritivo, que valorize a cultura agrícola local.
Conforme o professor, a escolha pelo chocolate 70% cacau está ligada tanto às suas propriedades nutricionais quanto à identidade regional. O cacau é uma cultura tradicional e economicamente relevante na Bahia.
“O chocolate com maior concentração de cacau possui menos açúcar e mais compostos bioativos, como flavonoides e antioxidantes, essenciais para o ChocoMed”, explica Lucas. Parte dos ingredientes utilizados é abundante na região do Médio Rio das Contas, valorizando a produção local.
Embora promissor, o ChocoMed ainda não está disponível para consumo e não deve substituir orientações médicas. A pesquisa continua em fase de testes laboratoriais para avaliar a formulação e segurança dos ingredientes.
“Atualmente, avançamos nos processos laboratoriais, buscando aprimorar a formulação e entender as possibilidades funcionais dos ingredientes. Este processo demanda responsabilidade científica e aprofundamento das pesquisas”, afirma o professor.
O grupo também discute a composição da patente e possíveis formas de transformar o projeto em produto comercial. A pesquisa é parte do Programa Ciência na Escola, da Secretaria da Educação da Bahia, em parceria com a Uesb.
“O ChocoMed nasce de um sonho coletivo na escola pública, envolvendo ciência, dedicação estudantil e compromisso social”, conclui o cientista. Para Lucas, o projeto vai além de criar um chocolate, demonstrando o impacto da ciência na formação dos estudantes.


