
Robson José dos Santos é demitido após acórdão apontar condutas inadequadas (Foto: Instagram)
O acórdão que resultou na não efetivação e posterior demissão do juiz substituto Robson José dos Santos revela situações descritas por testemunhas como inadequadas para um magistrado, segundo o Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO). Antes de se tornar juiz, Robson José trabalhou como gari e vendedor de pipoca.
++ Sistema de IA revela como gente comum está criando renda passiva no automático
Entre os relatos do processo administrativo, está uma frase dita após um café da manhã organizado pelos servidores para recebê-lo em uma comarca do interior. Durante o evento, ele se mostrou simpático, compartilhou sua história de vida e conquistou parte da equipe.
++ Jovem mata o padrasto para defender a mãe e o inesperado acontece
No entanto, o ambiente mudou após o término da confraternização. Segundo depoimentos, após os servidores saírem da sala, o juiz fechou a porta e fez um comentário que causou desconforto a uma funcionária que ainda estava presente.
“Eles acham que vão me comprar com pão”, teria dito o juiz, conforme o acórdão. A testemunha afirmou que a frase contrastava com a imagem que ele havia construído minutos antes, durante a recepção.
Outra funcionária confirmou o incidente, relatando que os servidores se mobilizaram para recebê-lo por acreditarem que ele seria alguém “próximo do povo” e acessível aos colegas.
O caso faz parte de um extenso processo administrativo do TJRO para avaliar a conduta do magistrado durante o período probatório. Ao longo das mais de 400 páginas da decisão, o tribunal reúne relatos sobre episódios de constrangimento e tratamento inadequado a servidores.
O acórdão também menciona que testemunhas relatavam oscilações de humor. Em alguns momentos, o juiz usava termos carinhosos com a equipe, como “meu amor”, “meu bem”, e enviava emojis de coração. Em outros, adotava postura ríspida.
Outro ponto abordado envolve como ele queria ser chamado. Conforme relatos, ele pedia para ser tratado apenas como “José” em algumas ocasiões, para parecer mais “humilde” e próximo da população.
O tribunal também coletou depoimentos sobre visitas a unidades prisionais em bermuda e camiseta, numa tentativa, segundo testemunhas, de “parecer um deles”, enquanto nas audiências mantinha formalidade com terno e gravata.
Ao avaliar as evidências, o Tribunal Pleno Administrativo concluiu que havia indícios de comportamento incompatível com os deveres éticos da magistratura, citando relatos de descortesia e episódios inadequados para a função judicial.
A coluna tentou contato com a defesa do ex-juiz, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.


