
Bolsonaristas tentam, sem sucesso, erguer-se pelos próprios cabelos enquanto Machado de Assis observa a cena. (Foto: Instagram)
Após a reunião entre Lula e Trump, os bolsonaristas ficaram como o personagem Estácio do romance "Helena" de Machado de Assis, na fase pré-realista. No momento em que Estácio percebe que Helena, sua amada, não é sua irmã, ele desabafa ao padre Melchior: "Perdi tudo, padre mestre!" A possibilidade do incesto o atormentava enquanto ela estava viva, mas quando o amor se libertou desse fardo, já era tarde demais. Mesmo em sua fase inicial, Machado de Assis demonstrava sua maestria na escrita.
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Não estou certo se os reacionários fascistoides já perderam as eleições. Lula ainda parece o favorito, mas vamos observar o desenrolar dos acontecimentos. É fato que as apostas em um confronto entre os presidentes do Brasil e dos EUA falharam novamente. Trump recebeu Lula com um tapete vermelho, em uma orgia semiótica que remetia à nobreza, religião, republicanos e ao PT. "A nossa bandeira jamais será vermelha", mas o caminho do petista à Casa Branca, ao lado de um Trump em apuros, irradiava tons escarlates.
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Tudo correu bem. Não houve intimidações no Salão Oval. Trump, em queda de popularidade, elogiou o dinamismo do "homólogo brasileiro", que deu uma entrevista otimista. "Qual foi o resultado prático do encontro, Reinaldo?" Até agora, nada que possa ser contabilizado, mas é claro que Trump deseja uma boa relação com Lula. O que restou ao bolsonarismo radical? A chance de moderação, representada por Ciro Nogueira, foi comprometida após uma visita da Polícia Federal autorizada por André Mendonça.
Retomando a questão: o que sobrou para o bolsonarismo? Paulo Figueiredo, "estrategista" de Eduardo Bolsonaro, afirmou em um vídeo que Lula teria oferecido a Trump a exploração de terras raras brasileiras para evitar que os EUA considerassem facções criminosas como terroristas. Figueiredo e seus aliados acreditam que Trump seria capaz de ignorar o "terrorismo" em troca de um bom negócio. Nem a extrema esquerda mais radical tem uma visão tão negativa do imperialismo.
Lula saiu vitorioso no relacionamento com Trump. A "reacionária" ficou como o Barão de Münchhausen, tentando se erguer pelos cabelos para sair do pântano, ou colocando a cabeça debaixo do braço até saber o que dizer. Como diria Machado: "Padre mestre, perdi Tudo!"
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