
Engenheira faz inspeção em racks de servidores de um data center de alta performance. (Foto: Instagram)
O deputado Danilo Fortes (PP-CE) é um defensor fervoroso da instalação do mega data center do TikTok em Caucaia, Ceará. O projeto, avaliado em R$ 200 bilhões, consumirá diariamente energia equivalente ao uso de 2,2 milhões de pessoas.
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Recentemente, o deputado adotou uma postura contrária ao resultado do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRcap) 2026. Ele questiona a integridade do processo e, na última quarta-feira (8), sugeriu ao Tribunal de Contas da União (TCU) a suspensão do leilão.
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O deputado ecoa preocupações dos setores de energia eólica, solar e de baterias, que se sentiram preteridos no leilão. Mário Araripe, empresário cearense e fundador da Casa dos Ventos, também compartilha dessa insatisfação. Araripe entrou na lista de bilionários da Forbes no ano passado, com uma fortuna de US$ 3 bilhões.
O leilão de potência é uma estratégia do governo para assegurar um fornecimento contínuo de energia durante picos de demanda ou secas prolongadas. Este ano, a contratação de 19,5 GW de potência, principalmente de usinas a gás natural, foi a maior já registrada no Brasil.
Desde a divulgação dos resultados em março, Danilo Forte tem se posicionado contra o processo. Em 28 de abril, ele convocou uma audiência pública na Câmara para debater o leilão. Durante a audiência, criticou o certame, alegando que ele favoreceu um setor de geração de energia atrasado e apontou falhas, como aumento de preços-teto e baixa concorrência. Ele também defendeu a inclusão de baterias no LRCap.
O parlamentar questionou: “Quem impediu o acesso ao sistema moderno de baterias, que atende o mundo, para colocar o Brasil de volta em sua vocação natural de transição energética?” Ele argumentou que, com a energia mais barata do mundo e um sistema de baterias seguro, é incoerente contratar uma energia inflexível.
Esta semana, ele distribuiu o relatório da audiência aos órgãos competentes, tentando ressaltar a questão. O Ministério de Minas e Energia (MME) defende que a contratação é essencial devido ao aumento da demanda e à necessidade de potência firme, para evitar apagões em todo o país.
O empresário Mário Araripe tem influência no setor de energia e articula em várias esferas do poder. A MP dos data centers, publicada para incentivar essas estruturas no Brasil, foi apelidada de “MP Mário Araripe” por beneficiar diretamente ele e a Casa dos Ventos.
A medida foi criticada por promover energia eólica e solar em um momento de excesso de geração no Brasil, o que levou ao corte de produção devido à falta de capacidade das redes de transmissão. No início deste ano, a MP perdeu validade sem votação no Congresso.
Danilo Forte, enquanto presidente da Funasa entre 2007 e 2010, foi investigado na operação Fumaça da Polícia Federal, acusado de facilitar a liberação de verbas para obras suspeitas de corrupção. Um relatório da CGU em 2011 indicou desvios de quase R$ 500 milhões na entidade, gerando críticas do então ministro da Saúde, José Gomes Temporão, sobre a corrupção na Funasa.


