
Lixo espacial orbitando a Terra: um problema em crescimento (Foto: Instagram)
Em tempos de viagens espaciais, o problema do lixo espacial se torna cada vez mais frequente. Qualquer objeto enviado por humanos para além da Terra e que permaneça em órbita é considerado um detrito.
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Os dados mais recentes mostram que o lixo espacial tem aumentado significativamente. O Relatório Anual do Ambiente Espacial da Agência Espacial Europeia (ESA) revelou que em 2024, havia aproximadamente 45,7 mil objetos maiores que 7,5 cm orbitando a Terra.
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Além disso, pelo menos três satélites ou foguetes antigos caem de volta no planeta diariamente, conforme o relatório divulgado no início do ano passado.
Com tanto lixo, surge a questão: é possível realizar uma "faxina espacial"? O pesquisador Alexandre Bergantini afirma que a redução dos detritos orbitais é complexa e não será completamente resolvida.
“Em muitos aspectos, ele se assemelha à poluição do ar e dos oceanos na Terra: é um problema cumulativo, de escala global, e que exige mitigação contínua, não uma solução única e definitiva”, afirma o especialista do Observatório do Valongo, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apoiado pelo Instituto Serrapilheira.
No entanto, há esforços em busca de soluções para amenizar o problema. Bergantini cita tecnologias avançadas como:
- Braços ou garras robóticas para capturar satélites inativos e direcioná-los à reentrada na atmosfera;
- Redes para envolver e estabilizar os detritos, conduzindo-os a zonas de decaimento orbital;
- Arpões para se fixar em objetos maiores e controlá-los até a reentrada na Terra.
Além disso, há progresso em "reaproveitamento espacial", onde satélites mais novos reabastecem os inativos, restabelecendo seu funcionamento.
“Um exemplo foi a missão com o satélite Intelsat 901 (IS-901), 'visitado' pelo veículo Mission Extension Vehicle-1 (MEV-1). Em 2020, o MEV-1 acoplou-se com sucesso ao IS-901, que já havia esgotado seu combustível. Após a junção, o veículo ativou seus próprios propulsores, reposicionando o satélite e estendendo sua vida útil em cerca de cinco anos”, explica o pesquisador.
OS RISCOS DO LIXO ESPACIAL
No espaço, o lixo é um dos principais obstáculos para missões. Mesmo pequenos objetos viajam a velocidades extremas, e qualquer colisão pode causar danos significativos a satélites e estações espaciais – quanto mais detritos, maior o risco de colisões.
Além disso, muitos detritos espaciais aumentam os custos das missões, pois os satélites e estações espaciais precisam realizar manobras preventivas. “Isso consome mais combustível, reduz a vida útil dos sistemas e exige monitoramento constante do ambiente orbital”, observa o professor de engenharia mecânica Gustavo Luiz Olichevis Halila, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).
Durante a reentrada na Terra, é raro que fragmentos atinjam áreas habitadas, já que a maior parte da Terra é composta por oceanos, desertos e áreas pouco povoadas. Contudo, existe um risco.
“A queda eventual de fragmentos maiores em áreas habitadas pode comprometer serviços essenciais dependentes de satélites, como comunicação, navegação GPS e monitoramento climático”, alerta Halila.
HÁ REGULAMENTAÇÃO PARA EVITAR DETRITOS, MAS ELA CARECE DE CORREÇÕES
Atualmente, há regulamentação internacional para conter o aumento do lixo espacial e responsabilizar os envolvidos. Exemplos são os tratados e diretrizes do Outer Space Treaty, estabelecido em 1967.
Apesar disso, Bergantini ressalta que a maioria das normas são incompletas, de cumprimento voluntário e com baixa capacidade de fiscalização.
“Já existe uma base jurídica internacional, mas ela ainda carece de força, padronização e mecanismos eficazes de cumprimento para lidar com o problema na escala necessária”, diz o pesquisador.
Por outro lado, ele observa que há interesse dos países e empresas privadas em mitigar o problema, visando reduzir custos no setor espacial. A expectativa é que o tema ganhe mais relevância nos próximos anos.


