Envolta em polêmicas, a morte do influenciador e fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, acendeu um alerta para uma condição cardíaca pouco conhecida, mas que pode ser fatal: a cardiomiopatia hipertrófica. O atestado médico do jovem divulgado nesta segunda (25/5) apontou que ele foi vítima da doença, que pode se desenvolver com o uso de anabolizantes.
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O QUE É?
A cardiomiopatia hipertrófica ocorre quando há um espessamento anormal do músculo cardíaco, principalmente nas paredes do ventrículo esquerdo. Esse aumento pode dificultar a circulação do sangue, alterar o funcionamento do coração e favorecer arritmias potencialmente graves.
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Em muitos casos, a condição tem origem genética e pode passar anos sem sinais claros. Segundo o cardiologista Vitor de Holanda, o maior desafio está justamente no caráter silencioso da doença.
“A cardiomiopatia hipertrófica muitas vezes evolui sem sintomas importantes. Algumas pessoas sentem cansaço excessivo, palpitações, tontura ou falta de ar e acabam interpretando isso como consequência do estresse, da rotina ou até do excesso de treino. Em alguns casos, infelizmente, a primeira manifestação pode ser um evento grave”, explicou.
Embora frequentemente associada ao universo esportivo, a doença não se restringe a atletas. Especialistas explicam que pessoas jovens, aparentemente saudáveis e sem limitações físicas também podem conviver com a condição sem saber, principalmente quando existe predisposição genética.
PRINCIPAIS SINTOMAS
Entre os sintomas que podem servir de alerta estão dor no peito, palpitações, sensação de coração acelerado, falta de ar durante esforço físico, fadiga desproporcional, tonturas e episódios de desmaio. Ainda assim, parte dos pacientes permanece assintomática, tornando o diagnóstico mais difícil sem acompanhamento médico.
“Quando existe histórico familiar de morte súbita, doenças cardíacas precoces, episódios inexplicáveis de desmaio ou sintomas relacionados à atividade física, a investigação não deve ser negligenciada. Hoje existem exames capazes de identificar alterações estruturais no coração antes que complicações aconteçam”, afirmou Vitor de Holanda.
A investigação costuma incluir exames como eletrocardiograma, ecocardiograma e, dependendo do caso, ressonância magnética cardíaca, que ajudam a avaliar o funcionamento e a anatomia do músculo cardíaco.
MUDANÇA DE PENSAMENTO
Para o especialista, o episódio envolvendo o influenciador reforça uma percepção ainda pouco difundida, principalmente entre jovens: doenças cardíacas não são exclusivas do envelhecimento.
“Muita gente acredita que problema no coração só aparece depois dos 50 ou 60 anos, mas existem doenças estruturais e genéticas que podem se manifestar cedo. Fazer check-ups, investigar sintomas persistentes e não ignorar sinais do corpo é fundamental”, concluiu Vitor de Holanda.


